domingo, 13 de dezembro de 2009

Capítulo 31

Isabel estava espantada com a declaração de Aline.
_Eu precisava dizer isso a alguém! Eu não aguento mais esconder isso!
_Mas... você não precisava ter agido daquele jeito.
_Me desculpe... – murmurou Aline sentando- se no banco do ponto de ônibus. –É que... você não imagina o quanto eu gosto do Luciano. Eu sempre gostei dele. Quando ele e a Natália começaram a namorar, eu pensei que fosse ficar maluca. Era tão difícil ver os dois... O pior de tudo era que os meus pais e os dele apoiavam esse namoro. Eles adoravam a Natália... Bom, todo mundo sempre gostou muito dela. Ela é linda!
_Aline...
_Você não imagina como eu me sinto!
_Eu sei como você se sente...
_Não sabe não! Você é linda! Tem um monte de garotos a fim de você! Você não é um ser transparente, como eu sou!
_Primeiro, não tem ninguém a fim de mim; segundo, quem disse que você é transparente? Pare com isso! Você é linda! Você é super inteligente e...
_Ah... VOCÊ diz isso! Pena que os garotos não percebem isso!
_Aline, você está impossível hoje!
_É que você não percebe o jeito como ele olha pra você... –murmurou a garota com tristeza.
_Olhe... Eu não gosto do Luciano. Ele é bem legal, mas... você sabe de quem eu realmente gosto.
_Isa! Fala sério! Você nem sabe onde o Yuri está e... nem sabe se voltará a vê-lo um dia.
_Mas eu gosto dele, assim como você gosta do Luciano. Por isso não precisa se preocupar comigo quanto a isso.
_Eu sei... Sei o quanto estou sendo boba... Mas é tão difícil suportar a indiferença do Luciano. Sempre estive ali, bem na frente dele, mas... ele não me vê!
_Olha, tudo o que eu sei é que há um tempo pra tudo. Se vocês tiverem que ficar juntos, o Luciano irá gostar de você...
_Isso na teoria é lindo, mas como é que eu faço pro meu coração entender isso? Eu já tentei tirar o Luciano da minha mente... mas não dá!
_Então, não faça nada. Deixe que o tempo resolva.
_O tempo... E quanto tempo mais eu terei de ficar sofrendo? É horrível ver tudo o que acontece...
_Eu imagino como você deve se sentir, mas isso tudo não é pra sempre. E eu só sei que quando as coisas terminam, o tempo do sofrimento parece apenas com o tempo de um amanhecer.
Aline ficou reflexiva, lembrando-se do que está escrito nos Salmos 30.
_Isa... me desculpe pela minha reação. Você tem razão. Tenho que parar com essas neuroses.
_Aham!
Alguns minutos depois, o ônibus que as duas precisavam passou e rapidamente chegaram a casa do jovem músico, de quem tanto necessitavam.
_Olá! –exclamou um jovem moreno se aproximando da porta, após a campainha da casa ser acionada.
_Oi, Fábio! –exclamou Aline. –Viemos fazer uma visitinha...
O garoto sorriu.
_Entrem! –disse ele abrindo o portão.
As duas garotas entraram na casa e todos se dirigiram à sala.
_Na verdade, não é bem uma visita. –explicou Isabel. –Viemos primeiramente convidá-lo para o culto de sábado...
_Que na verdade, vai ser uma festa do pijama na minha casa! –disparou Aline
_Festa?!
_É que o irmão Silvio vai viajar esse fim de semana e para o culto não ser cancelado, decidimos fazer alguma coisa. –explicou Aline
_É uma ideia legal.
_Bom... –continuou Isabel. – Nós vamos fazer um momento de louvor, sabe? E precisamos de alguém que toque violão.
_Como vocês sabem que eu toco? Eu nunca toquei na igreja!
_Eu ouvi alguém falando... –comentou Aline
_Bom... tudo bem. Mas... vai ter algum ensaio?
_Nossa! –exclamou Isabel batendo a palma da mão na testa. -Eu havia me esquecido disso!
_A gente pode arrumar um tempo essa semana, não é? –surgeriu Aline.
_Bem... eu não sei se vou ter tempo nos próximos dias. Hoje eu estou de folga, mas geralmente eu trabalho até as 7 da noite.
_Tivemos sorte de encontrar você aqui hoje, então. –disse Aline contente.
_Mas... e quanto aos outros dias, Aline? Nós precisamos ensaiar!
_Se vocês tiverem tempo, eu posso ensaiar hoje. Não tenho nenhum compromisso à tarde.
Aline olhou para Isabel, que ficou pensativa por alguns instantes.
_Tudo bem. Mas precisamos fazer uma lista das músicas que vamos cantar ainda.
_Sem problemas! –disse Aline pegando um caderno de sua mochila.
Os três passaram alguns minutos criando a lista das músicas e durante as duas horas seguintes, ficaram ensaiando com o garoto. Isabel percebeu que além de tocar bem, Fábio também cantava muito bem. Enquanto os três cantavam, o lugar parecia entrar numa outra dimensão. Isa imaginou como isso seria mais grandioso no sábado, com todos os jovens.
_Acho que está ótimo! –comentou Fábio colocando o violão ao lado do sofá.
_Também acho! –concordou Isabel. –Está perfeito!
_Eu não vejo a hora de chegar sábado! –exclamou Aline
_E nós ainda precisamos ligar para o pessoal e avisar!
_É mesmo... Já tinha me esquecido!
_Ah... terminaram o ensaio? –disse uma senhora entrando na sala. –Eu fiz um bolinho pra vocês...
Aline olhou sorrindo para Isabel.
_Eu devia visitar mais as pessoas!
Isabel meneou a cabeça sorrindo. Todos foram para a cozinha comer o delicioso bolo de chocolate preparado pela mãe de Fábio.
_Isso aqui tá uma delícia! –disse Aline com a boca cheia.
_Aline! –exclamou Isabel. –Que feio!
_É que tá muito bom... –disse ela passando o dedo no cantinho da boca para limpar o creme da cobertura.
_Podem comer a vontade! –disse Joana
_Obrigada. –disse Isabel. –Sabe, Fábio... eu tenho que dizer que você toca muito bem.
_Obrigado! Meu pai quem me ensinou.
_Será que ele podia me dar umas aulinhas? –perguntou Aline
_Acho que não... –murmurou o garoto. -Faz dois meses que ele faleceu.
Aline arregalou os olhos.
_Nossa! Me desculpe! Eu...
_Está tudo bem. Ele está bem melhor, agora.
_De qualquer forma, ele deixou um bem valioso com você! –disse Isabel. –Você aproveitou muito bem os ensinos do seu pai. Além de cantar muito bem...
_Quantos elogios! –exclamou Aline.
_Você vai me deixar sem graça deste jeito... –disse Fábio sorrindo.
_Só estou dizendo a verdade.
_Desde criança vi meu pai tocando na igreja.
_Nós éramos de uma igreja bem pequena, lá do interior de São Paulo. –comentou Joana
_O meu pai era pastor lá. Graças a Deus, sempre tive um bom ensino e meu pai sempre me auxiliou nos meus problemas e nas dúvidas que surgem conforme a gente cresce, sabe?
Aline e Isabel acenaram com a cabeça.
_E como vocês vieram parar aqui? –perguntou Aline
_Há uns dois anos meu pai descobriu que estava com câncer. Nós procuramos muitos médicos naquela região, mas... nada resolvia. Nós e toda a igreja oramos muito por ele, mas... Então decidimos vir a São Paulo. Encontramos um bom médico, mas a doença do meu pai já... já não dava mais.
_Puxa! Que história.
_Na verdade... –disse Joana. –Nós já sabíamos que isso ia acontecer. O Samuel já havia feito muito por aqui... era hora de partir.
_E há quanto tempo vocês estão aqui? –perguntou Isabel
_Há uns cinco meses. Essa casa aqui é da minha tia. Foi ela quem nos acolheu.
_Nós tínhamos pensado em voltar pra nossa cidade, mas existe algo a ser feito por aqui... –disse Joana.
_A começar por esse sábado! –exclamou Aline. –Nós vamos precisar de você!
_É... Vou começar algo novo e ver o que Deus quer de mim, né?
_Isso aí! –disseram Aline e Isabel
Depois de terminarem o bolo e a conversa, Isabel e Aline foram embora pra casa.
_Ele é super simpático, não é? –disse Aline
_É... e canta muito bem! Acho que vai ser super legal este sábado.
_Eu também estou pressentindo que muitas coisas boas virão!
Aline e Isabel entraram na casa daquela.
_Meu Deus! –exclamou Branca se aproximando com desespero. –Onde vocês estavam?
_Nós fomos a casa do Fábio. –respondeu Aline calmamente. –Ele quem vai tocar no sábado.
_E vocês não poderiam ter ao menos avisado?
Aline olhou para Isabel com desespero.
_Eu... esqueci. –murmurou a garota
_E onde está seu celular? –perguntou Branca irritada
_Na mochila... –disse Aline pegando o celular.- ...descarregado.
Branca soltou um suspiro.
_Desculpa, mãe... Nós estamos muito empolgadas com tudo...
_Aline, eu entendo vocês, mas vocês tem de ser mais responsáveis!
_Eu prometo que não vou mais fazer isso. Desculpe...
_Tudo bem. –disse Branca tentando se acalmar. –É só que eu fiquei muito preocupada. Vocês não demoram a chegar da faculdade.
_Nós sentimos muito. –disse Isabel
_Estão com fome? Querem almoçar?
_Nós comemos bolo na casa do Fábio. –disse Aline. –Estamos bem.
_Certo, então. Ah... acho melhor você ir pra casa, Isa. Sua mãe também estava preocupada te procurando...
_Tá. Vou pra casa, então. Até depois, Aline.
_Depois que terminar minhas coisas eu vou lá na sua casa.
_Certo.
Isabel foi para sua casa e encontrou sua mãe na sala, conversando com alguém.
_Finalmente! –exclamou Elisa. –Onde você estava?
_A Aline e eu fomos à casa de um jovem, pra ensaiar alguns louvores pro sábado.
_Vocês nos deixaram preocupadas.
_Nós nos esquecemos do mundo um pouquinho... –murmurou a garota.
_Percebi. Mas, veja quem está aqui.
A pessoa com quem Elisa estava conversando se levantou do sofá.
_Carina! –exclamou Isabel correndo para abraçá-la.
_Que bom que você está feliz em me ver! –disse a jovem depois que quase foi derrubada pelo impacto do abraço de Isabel.
_Como é bom ver você depois de tanto tempo! –disse Isabel contente.
_Eu digo o mesmo. Ainda estou tentando me acostumar com a distância entre nós.
_E como vão as coisas por lá?
_No Buffet estão ótimas. Tudo está indo muito bem... a cada dia mais encomendas, mais trabalho...
_Que bom. E... a Akira?
Carina sorriu.
_Sabia que você ia perguntar dela. Eu a vi semana passada. Ela está muito bem. O namoro vai bem... está firme na igreja também...
_Que ótimo. –disse Isabel contente.
_Mas... será que é dela mesmo que você quer saber?
Isabel sorriu. Seu coração começou a acelerar só de pensar...
_E o Yuri? –perguntou Isa um pouco envergonhada.
_A Akira disse que ele está muito bem no Instituto Teológico. Tem sido um ótimo aprendizado para ele, mas ele ainda não está tendo ensinos muito profundos da bíblia porque ainda é novo convertido...
_E onde ele está?
_Sabe que eu esqueci o nome da cidade.
Isabel sentiu-se inconformada.
_Eu só sei que é uma cidade do interior... Mas ele está muito bem, segundo ela, está muito mudado.
_Eu queria tanto revê-lo... –murmurou a garota pensativa
_Bom... ele não vai ficar lá pra sempre, não é? –disse Elisa
_Não fique assim, Isa. O que tem que ser, será.
_É... verdade.
_Agora nós precisamos ir ao Buffet. –disse Elisa. –Semana que vem inauguramos!
_Sério?! –espantou-se Isabel
_Sério. –disse Elisa sorrindo. –Você não quer ir com a gente?
_Não... eu preciso terminar algumas coisas, além de organizar a festa de sábado.
_Ainda nisso? –surpreendeu-se Elisa.
_Ah, mãe... Isso tudo leva tempo, né?
_Tudo bem. Na próxima você vai, então.
_Aham. E você vai voltar pra cá, Carina?
_Ah... vou sim. Mas só fico aqui até amanhã. O Ricardo fica louquinho sem mim lá no Buffet.
_Então nos vemos mais tarde de novo.
_Sim.
As três se despediram e Isabel foi para seu quarto. Após tomar um banho, a garota deitou-se em sua cama e começou a relembrar todos os momentos que havia passado com Yuri, tanto os bons quanto os ruins.
“Ah que saudade de você, Yuri. Se eu pudesse te ver de novo...”
A garota adormeceu, vencida pelo cansaço. Em seus sonhos, Isabel se viu num belo jardim. Estava entre as flores e o vento soprava suavemente, fazendo com que as flores dançassem e seu vestido balançasse levemente. Ao longe, Isabel avistou alguém se aproximando. Seu coração se alegrou. Era Yuri que se aproximava. Ele estava vestido de branco e segurava uma rosa vermelha. Quando estava bem próximo, beijou a rosa e entregou a Isabel, que a pegou com um enorme sorriso.
_Eu te amo... –murmurou Isabel
Yuri sorriu e se aproximou mais da garota. Seu lábios quase se tocando...
_Isabel! –exclamou Aline
Isabel abriu os olhos e pulou em cima da prima.
_Calma! Calma!
_Por que você tinha que me acordar agora? –resmungou Isabel inconformada.
_Já virou costume. –respondeu ela sorrindo. –Por que? Com que você estava sonhando?
_Bem... adivinha!
_Yuri? –disse Aline não muito surpresa.
_Nós estávamos quase... bem...
_Eu imagino o que estava acontecendo. –disparou Aline irritada.
_Por que essa irritação?
_Nada. É só que eu me lembrei do Luciano...
_Ah... me desculpe. Eu realmente não queria fazer você ficar triste, mas é que a Carina esteve aqui e me falou dele...
_O que?! –surpreendeu-se a prima. –Como assim? Ela sabe dele? Onde ele está?
_Eu continuo com quase as mesmas informações... só sei que ele está num Instituto Teológico. Mas, depois de ouvir alguma notícia dele, eu senti como se ele estivesse perto, sabe? Aí me deu uma saudade...
_Imagino. O que você acha que aconteceria se vocês se reencontrassem?
_Eu não tenho ideia. Mas, mudando de assunto, o que você veio fazer aqui?
_Te acordar de sonhos belos. –disse Aline sorrindo
_Não. Sério, Aline!
_Eu já liguei pra alguns jovens e falei com a Amanda.
_E quem é Amanda?
_Ela auxilia o Silvio com os jovens. Eu tinha até me esquecido dela. Daí eu falei pra ela sobre as nossas ideias e ela vai nos ajudar também. Precisamos de alguém experiente com a gente, né?
_É... isso é verdade. Nós precisamos ainda comprar as coisas pra fazer os “comes e bebes”, o prêmio do concurso do pijama... precisamos alugar o filme também!
_Acho que a gente vai gastar muito, Isa...
_Será que cada jovem não poderia trazer alguma coisa?
_Eu não sei... está tão em cima da hora...
_Mas não custa nada perguntar. A gente faz um tanto suficiente que dê pra todo mundo comer, mas não se esbaldar... De resto, o pessoal ajuda, que tal?
_Tomara que funcione. Eu tenho tanto medo que alguma coisa dê errado, Isa...
_Em nome de Jesus vai dar tudo certo! Você vai ver... Milagres vão acontecer neste sábado!
_É... vai dar tudo certo sim!