Fazia 15 minutos que Isabel e Aline estavam no quarto desta, enquanto Isa escrevia freneticamente num papel. Aline estava agoniada; curiosa para saber o que a prima escrevia com tanto gosto.
_Pronto! –exclamou Isabel entregando a sua prima o papel.
Aline puxou o papel e começou a ler rapidamente.
_Você é uma caixinha de surpresas, Isa! Você deve ter um monte de talentos escondidos aí...
Isabel sorriu.
_Está bom?
_Se está bom?! Está ótimo! Aliás, está maravilhoso! Uma festa do pijama... Isso vai ser muito divertido.
_Se isso não chamar a atenção dos jovens, eu não sei mais o que pensar!
_Nem eu. Essa sua idéia é perfeita... Festa do pijama e ainda prêmio para o melhor pijama. E, aliás, o que vai ser o prêmio?
_Ah... um troféu. A gente pode comprar um. Eu só acho que a idéia de um concurso de pijama chama mais a atenção.
_Com toda a certeza! Eu estou ansiosíssima pra chegar o sábado.
_Você acha que a gente poderia fazer aqui?
_Minha mãe disse que nos ajudaria... Acho que podemos fazer sim.
_É melhor perguntarmos a ela...
_Duvido muito que ela não aceite. Essa sua idéia é ótima, Isa!
As duas saíram rapidamente do quarto e foram procurar Branca.
_Mãe! –exclamou Aline, entrando no quarto da mãe. –A Isa é um gênio!
_O que vocês aprontaram desta vez?
_Leia isto! –disse a filha entregando o papel de Isa a Branca
A mulher leu atenciosamente e sorriu.
_Realmente, está muito bom.
_A gente pode fazer aqui, mãe?
_Pode sim. Eu ajudo em tudo o que vocês precisarem!
_Nós também vamos precisar de alguém que toque violão. –comentou Isabel. -Você sabe de alguém que toca violão?
_Acho que tem um garoto, que se mudou pra cá há alguns meses, que toca... Eu ouvi alguma coisa sobre isso...
_Precisamos falar com ele... Vamos cantar algumas músicas...
_Olha, meninas, vocês estão indo muito bem! Eu as apóio em tudo!
Aline e Isabel estavam muito empolgadas e não viam a hora de colocar todas as ideias em prática. Se pudessem, ficariam a noite toda planejando, mas Elisa ligou para Isa pedindo que fosse para casa jantar. Isabel lembrou-se que ainda tinha de estudar para alguma coisa que teria no outro dia. A vida também tinha outras responsabilidades.
_Amanhã a gente conversa mais sobre isso! –disse Aline indo com sua prima para a entrada da casa.
_Tomara que eu consiga dormir. Eu estou tão empolgada...
_Eu, então....
As duas se despediram e Isabel foi para casa.
_Eu pensei que você não sairia nunca de lá! –exclamou Elisa ao ver a filha entrando em casa.
_Eu me esqueci da hora... –disse Isabel se aproximando.
_Você tem que ver o buffet. Está praticamente pronto!
_Legal... –disse Isabel indo para as escadas.
_Que bom que você está empolgada.
_Eu só estou um pouco cansada...
_O que você fez durante o dia todo, hein?
Isabel não respondeu. Foi direto tomar banho e, logo depois, desceu para a sala de jantar.
_Boa noite, pai! –disse ela dando um beijo em seu rosto.
_Finalmente estou te vendo!
_Agora ela vive na casa da Branca.
_Tenho justificativas! –exclamou Isabel animada.
A garota começou a contar aos pais sobre o culto de jovens e todas as ideias que ela e Aline tiveram.
_Estou vendo que a união de vocês duas está sendo muito boa. –comentou João.
_Deus sabe muito bem o que faz. –disse Elisa colocando uma travessa com salada na mesa. –E está nos mostrando que mudar para cá não foi por acaso.
_É... é verdade... –disse Isa pensativa.
Elisa sentou-se a mesa e suspirou.
_Ah.. finalmente amanhã chega a nova empregada. Cozinhar e cuidar do buffet não dá muito certo!
Após o jantar, Isabel foi para o seu quarto e pegou um livro de sua mochila para estudar. Mas, ao começar a ler,caiu no sono.
O despertador soou às 6:00 h. Isabel levantou a cabeça assustada e ao perceber que era o despertador, desligou-o e deitou-se novamente.
_Ah... Como eu gostaria de dormir por, pelo menos, mais meia hora.- resmungou ela
Isabel levantou-se lentamente e foi para o banheiro. Enquanto a água que caía do chuveiro em seu corpo a despertava, a garota começou a lembrar-se do dia anterior e um sorriso brotou em seus lábios.
“Eu me sinto tão bem organizando tudo isso. Será que é isso que o Senhor quer que eu faça? Eu só espero que dê tudo certo no sábado. Só espero que os jovens se sintam bem e tenham o desejo de estar cada vez mais perto de ti, Senhor... “
Isabel saiu do banheiro e viu a sombra de uma pessoa saindo do quarto.
_Mãe?
A garota foi até a porta e não viu ninguém no corredor.
“Eu pensei que ela estivesse no buffet.” –pensou Isa estranhando.
Isabel saiu do quarto, procurando a pessoa.
“Será que eu estou vendo coisas?! Bom... fantasmas não existem! E se for um ladrão?”
A garota percebeu que estava de toalha e voltou correndo para o quarto.
_Não pode ser um ladrão!
Após vestir-se, Isabel foi vasculhando lentamente cada cômodo da casa e a busca parecia inútil. Quando se aproximou da cozinha, viu a sombra de alguém na porta que ia para a lavanderia. Pelo tamanho, com certeza não era sua mãe.
“E se for um ladrão, eu estou bem perdida...”
Isabel pegou uma frigideira que estava no balcão e foi andando lentamente em direção a lavanderia; mas antes que entrasse, a pessoa, dona da sombra, saiu de lá. Isabel, ao invés de enfrentar o suposto ladrão, gritou e correu.
_Uau! Que ótima recepção! –exclamou a senhora de estatura mediana e gorda.
Isa apareceu lentamente atrás do balcão que rodeava a cozinha.
_Eu espero que essa frigideira na sua mão seja para fazer omeletes...
Isabel sorriu e colocou a frigideira no balcão.
_Você... ?
_Meu nome é Rose. Pelo visto, seus pais não avisaram a você sobre mim.
_Você é a nova empregada?
_Exatamente. –disse a senhora se aproximando. –E você só pode ser a Isabel, certo?
_Sim... Me desculpe pelo susto. Eu me esqueci completamente que teria mais uma pessoa por aqui hoje. Eu já estava pensando que era um ladrão.
Rose riu.
_Acho que esse tipo de trabalho não serve pra mim. Como você percebeu, é um pouco difícil eu passar desapercebida pelos lugares. Num “emprego” de ladrão eu seria demitida logo.
Isa sorriu.
_O que você quer comer de café da manhã?
_A senhora já preparou alguma coisa?
_Bom... eu fiz um bolo de cenoura...
_Perfeito!
Rose serviu o bolo à garota e preparou um pouco de leite com achocolatado.
_Estava muito bom, Rose! –disse a garota se levantando. –Acho que agora meus pais acertaram. Tomara que eu não engorde com a senhora aqui!
A mulher sorriu.
_Pode deixar que eu cuido bem da sua alimentação. Tenho certeza que você não quer ter o meu “corpinho”. – e com esta última palavra, ela passou as mãos pela cintura.
Isa sorriu.
_Agora preciso mesmo ir.
A garota correu até o quarto, pegou sua mochila e saiu. Tia Branca já estava com o carro pronto para sair.
_Bom dia, Isa! –exclamou Carlinhos do banco de trás do carro.
_Que animação, hein? –disse Isabel entrando no carro.
_Eu desisto de chamar a Natália! –exclamou Aline entrando no carro.
_Será que tem que ser assim todo o dia? –disse Branca nervosa.
_Mãe, por que você não dá um carro pra Natália? –perguntou Carlinhos inocentemente
_Um carro?! –surpreenderam-se Branca e Aline
_É... assim ela ia sozinha e na hora que ela quisesse.
_Se eu der um carro a Natália... –disse Branca. - Nem quero pensar no que pode acontecer!
_Pronto! –disse Natália sentando-se no banco do passageiro da frente. –E não estamos atrasados!
Branca ligou o carro e em poucos minutos, as três garotas estavam na faculdade.
_Tchau pra vocês! –exclamou Natália se afastando rapidamente.
_Eu gostaria tanto que ela andasse com a gente. –murmurou Isabel vendo Natália já longe.
Aline olhou surpresa para a prima.
_É sério. –continuou Isa. –Se nós fossemos unidas, não ia ter pra ninguém.
_Talvez você esteja certa, mas não é assim que a Natália pensa.
_Eu tenho esperança que um dia ela ande com a gente...
_É bom você pensar assim. Eu já perdi as minhas esperanças de a Natália ser uma garota normal, quero dizer, normal como nós.
_Se é que somos normais. –acrescentou Isabel.
As duas sorriram.
_Bom... –disse Aline. -Precisamos ir pra aula!
_É. Até depois!
As duas, então, se dirigiram às suas salas. Isabel sentou-se no lugar escolhido desde o primeiro dia de aula, bem no meio da sala, e começou a arrumar seu material em cima da mesa.
O professor entrou na sala e pediu que todos abrissem o livro que ele havia recomendado, no dia anterior, na página 25. Isabel olhou em sua mochila e não encontrou o livro. Checou sua mesa, olhou o chão e nada do livro.
“Ah... não! Ficou em casa!”
A probabilidade de encontrar o livro na biblioteca era mínima. O desespero de estar sem o material tomou conta da garota. Todos estavam com o livro aberto.
_Você está sem livro? –perguntou o garoto que estava sentado ao lado de Isabel.
_Estou... –murmurou ela baixinho, para não interromper a aula.
_Você quer ler comigo?
_Claro! –disse Isabel surpresa e contente ao mesmo tempo.
O garoto aproximou sua cadeira e os dois compartilharam o mesmo livro.
_Muito obrigada mesmo... é... o seu nome...?
_Diogo!
_Obrigada, Diogo! –disse Isabel suavemente. –Você não imagina o quanto eu me senti aliviada com a sua atitude.
_Eu percebi que você estava em apuros...
_Eu agradeço de verdade. –disse ela pegando a mochila e saiu para o intervalo.
Isabel encontrou Aline numa das mesas do refeitório. Estava muito concentrada enquanto escrevia num caderno.
_Eu posso interromper? –perguntou Isabel se sentando
_Eu tenho que terminar isso aqui logo! Depois nos falamos.
_Ok. –disse Isa estranhando.
_Bom dia, meninas! –exclamou Luciano se sentando ao lado de Isabel.
Aline olhou rapidamente para ele e voltou para o caderno.
_Bom dia... –disse Isabel sorrindo. – Digo por nós duas.
_Certo, então. E... como vão os preparativos para o culto de sábado?
_Está tudo ótimo! Nós vamos fazer uma festa do pijama na casa da Aline.
_Festa do pijama?! –surpreendeu-se o garoto.
_É. –disse Isabel animada. –Vamos fazer até um concurso do melhor pijama.
Luciano sorriu.
_Acho que vai ser muito legal... –disse ele pensativo. –Mal posso esperar.
_Você vai adorar!
_Chega! –exclamou Aline se levantando. –Eu preciso de concentração!
Isabel e Luciano se entreolharam estranhando. Aline se afastou e sentou-se em outra mesa.
_O que ela tem?
_Eu não sei. Quando eu cheguei aqui ela estava escrevendo naquele caderno... Não sei o que é.
_Hum...
_Eu estou morta de fome! –disse Isa se levantando. –Vou comprar alguma coisa.
_Eu vou com você!
Os dois compraram seus lanches e voltaram para a mesa.
_Acho que eu nunca vi a Aline com raiva. –comentou ele olhando para a mesa onde Aline estava.
_É bem difícil isso acontecer. Mas geralmente ela fica assim quando a Natália está por perto...
_Ah... é verdade. Elas duas não se dão muito bem. E... por falar nela, onde ela está?
_Nem tenho ideia. A gente só vê a Natália de manhã, até a hora que chegamos aqui. Depois ela some e só a vemos em casa. Claro, depois de muito tempo de termos chegado.
_Ela não muda... –murmurou Luciano com um sorriso estranho.
_Você ainda gosta dela?
_Ãh?!
Luciano ficou extremamente surpreso com a pergunta.
_A Aline me disse que vocês namoraram...
_Eu não gosto muito de falar sobre isso. Foi um momento... digamos, esquisito da minha vida.
_Esquisito?!
_É. É estranho você gostar de uma pessoa, ter uma ideia sobre ela, mas depois descobrir que ela é completamente diferente daquilo...
_Você não gosta mais dela, então?
Luciano olhou fixamente nos olhos de Isabel e disse com firmeza.
_Não.
Isabel se sentiu um pouco constrangida. Seu corpo estremeceu, mas não entendia o que estava acontecendo.
_Voltei! –disse Aline com um enorme sorriso.
Isabel se ajeitou em sua cadeira e Luciano olhou para um lado, como se estivesse disfarçando alguma coisa. Aline ficou observando os dois por alguns segundos, imaginando o que estaria acontecendo.
_O que você estava fazendo que não queria ser interrompida? –perguntou Isabel rapidamente.
_Uma redação. Eu preciso entregar ainda hoje. Era pra eu ter feito ontem, mas a empolgação da festa de sábado acabou atrapalhando um pouco.
_Imagino. –disse Isabel. - Ontem era pra eu ter estudado pra matéria de hoje. Eu até comecei, mas dormi. Daí, eu esqueci o livro em casa e hoje eu fiquei perdida na sala. Ainda bem que o Diogo me ajudou.
_Diogo?! –exclamou Aline bem alto e com um sorriso animado. –Quem é?
_Ele é da minha turma. Ele viu que eu estava sem livro e sentou comigo pra eu ler junto com ele.
_Uau! Você anda cheia de pretendentes!
Luciano olhou para Isabel um pouco sem graça.
_Aline, que bobagem. Ele não é pretendente. A gente nem se conhece.
_Não precisa conhecer pra ser pretendente. Aliás, quanto menos se conhece, melhor pretendente você é.
_Aline, chega disso!
_Tudo bem. –disse Aline desanimada. –Eu vou procurar a professora e entregar a redação.
_Você não vai comer? –perguntou Luciano.
_Perdi a fome.
E Aline saiu.
_O que deu nela? –disse Isabel estranhando.
_Ela deve estar com T.P.M.
A garota sorriu. Após o término dos 20 minutos de intervalo, Isabel foi rapidamente para sua sala. Ao sentar-se em sua cadeira, olhou para o garoto loiro, de óculos, ao seu lado. Diogo estava lendo um livro com toda sua concentração voltada para ele.
_Você parece ser um aluno bem aplicado. –disse Isabel.
Diogo olhou para ela e sorriu.
_Eu tenho que estudar muito. Eu sou bolsista e se tirar notas baixas, estou perdido.
_Ah... então me desculpe por atrapalhar.
_Tudo bem. Acho que já li demais... –disse ele fazendo um movimento circular com o pescoço.
O professor entrou na sala.
_Acho que o seu tempo de descanso já terminou. –comentou Isa.
O garoto olhou para o professor, olhou para Isa e sorriu.
A aula passou rapidamente. O professor passou um exercício em dupla e Isabel sentiu-se muito bem fazendo com Diogo. Ele era muito dedicado e Isabel o admirou.
_Acho que nos saímos muito bem! –disse Diogo, ao término das aulas.
_Você é um bom parceiro para trabalhos.
_Obrigado! –disse ele contente. –Bom, nos vemos amanhã!
_Aham. Até amanhã.
Isabel ficou esperando Aline na portaria.
_A Aline ainda não saiu? –perguntou Luciano se aproximando
_Não...
Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo.
_Estavam me esperando? –perguntou Aline se aproximando rapidamente.
_É. –disparou Isabel. –Você demorou hoje.
_Estava resolvendo algumas coisas...
_Vocês querem carona?
_Sim!
_Não! –exclamou Aline
Isabel e Luciano olharam para a garota.
_Nós precisamos ir à casa do Fábio! –informou Aline à Isabel
_Quem?!
_Você não disse que queria alguém que tocasse na festa?
_Eu posso levar vocês até lá. –disse Luciano gentilmente.
_Não. Obrigada.
_Aline!
_Nós precisamos conversar sobre a festa... –disse Aline puxando Isabel. –E você deve ter muita coisa a fazer, Luciano. Não se preocupe com a gente!
_Aline! –exclamava Isabel, enquanto ela a puxava para fora.
Luciano ficou observando as duas se afastarem.
_O que deu em você hoje, hein? –reclamou Isabel, quando as duas estavam no ponto de ônibus.
_Não é nada. –murmurou Aline.
_Você não é assim. Você está me tratando como trata a Natália.
Aline olhou preocupada para Isabel.
_Deve ser o meu medo de você se tornar uma segunda Natália.
_O que?! Eu não serei uma segunda Natália. Eu nem consigo agir como ela e...
_Mas pode tomar o lugar dela.
_Do que você está falando?
A garota olhou para o lado, tentando não encarar Isabel.
_Você pode se tornar a nova namorada do Luciano.
Isabel espantou-se.
_Você está maluca?! Eu... eu nem gosto... dele!
_Eu vi vocês dois no refeitório.
_Você está imaginando coisas...
_Ele gosta de você.
_Você realmente está imaginando coisas!
_Me desculpe por ter agido daquele jeito... Mas é que é tão difícil me sentir rejeitada pela segunda vez.
_Rejeitada?! Do que você está falando?
_É que... eu gosto do Luciano.
10 meses atrás


