sexta-feira, 17 de julho de 2009

Capítulo 30

Fazia 15 minutos que Isabel e Aline estavam no quarto desta, enquanto Isa escrevia freneticamente num papel. Aline estava agoniada; curiosa para saber o que a prima escrevia com tanto gosto.
_Pronto! –exclamou Isabel entregando a sua prima o papel.
Aline puxou o papel e começou a ler rapidamente.
_Você é uma caixinha de surpresas, Isa! Você deve ter um monte de talentos escondidos aí...
Isabel sorriu.
_Está bom?
_Se está bom?! Está ótimo! Aliás, está maravilhoso! Uma festa do pijama... Isso vai ser muito divertido.
_Se isso não chamar a atenção dos jovens, eu não sei mais o que pensar!
_Nem eu. Essa sua idéia é perfeita... Festa do pijama e ainda prêmio para o melhor pijama. E, aliás, o que vai ser o prêmio?
_Ah... um troféu. A gente pode comprar um. Eu só acho que a idéia de um concurso de pijama chama mais a atenção.
_Com toda a certeza! Eu estou ansiosíssima pra chegar o sábado.
_Você acha que a gente poderia fazer aqui?
_Minha mãe disse que nos ajudaria... Acho que podemos fazer sim.
_É melhor perguntarmos a ela...
_Duvido muito que ela não aceite. Essa sua idéia é ótima, Isa!
As duas saíram rapidamente do quarto e foram procurar Branca.
_Mãe! –exclamou Aline, entrando no quarto da mãe. –A Isa é um gênio!
_O que vocês aprontaram desta vez?
_Leia isto! –disse a filha entregando o papel de Isa a Branca
A mulher leu atenciosamente e sorriu.
_Realmente, está muito bom.
_A gente pode fazer aqui, mãe?
_Pode sim. Eu ajudo em tudo o que vocês precisarem!
_Nós também vamos precisar de alguém que toque violão. –comentou Isabel. -Você sabe de alguém que toca violão?
_Acho que tem um garoto, que se mudou pra cá há alguns meses, que toca... Eu ouvi alguma coisa sobre isso...
_Precisamos falar com ele... Vamos cantar algumas músicas...
_Olha, meninas, vocês estão indo muito bem! Eu as apóio em tudo!
Aline e Isabel estavam muito empolgadas e não viam a hora de colocar todas as ideias em prática. Se pudessem, ficariam a noite toda planejando, mas Elisa ligou para Isa pedindo que fosse para casa jantar. Isabel lembrou-se que ainda tinha de estudar para alguma coisa que teria no outro dia. A vida também tinha outras responsabilidades.
_Amanhã a gente conversa mais sobre isso! –disse Aline indo com sua prima para a entrada da casa.
_Tomara que eu consiga dormir. Eu estou tão empolgada...
_Eu, então....
As duas se despediram e Isabel foi para casa.
_Eu pensei que você não sairia nunca de lá! –exclamou Elisa ao ver a filha entrando em casa.
_Eu me esqueci da hora... –disse Isabel se aproximando.
_Você tem que ver o buffet. Está praticamente pronto!
_Legal... –disse Isabel indo para as escadas.
_Que bom que você está empolgada.
_Eu só estou um pouco cansada...
_O que você fez durante o dia todo, hein?
Isabel não respondeu. Foi direto tomar banho e, logo depois, desceu para a sala de jantar.
_Boa noite, pai! –disse ela dando um beijo em seu rosto.
_Finalmente estou te vendo! 
_Agora ela vive na casa da Branca.
_Tenho justificativas! –exclamou Isabel animada.
A garota começou a contar aos pais sobre o culto de jovens e todas as ideias que ela e Aline tiveram.
_Estou vendo que a união de vocês duas está sendo muito boa. –comentou João.
_Deus sabe muito bem o que faz. –disse Elisa colocando uma travessa com salada na mesa. –E está nos mostrando que mudar para cá não foi por acaso.
_É... é verdade... –disse Isa pensativa.
Elisa sentou-se a mesa e suspirou.
_Ah.. finalmente amanhã chega a nova empregada. Cozinhar e cuidar do buffet não dá muito certo!
Após o jantar, Isabel foi para o seu quarto e pegou um livro de sua mochila para estudar. Mas, ao começar a ler,caiu no sono. 



O despertador soou às 6:00 h. Isabel levantou a cabeça assustada e ao perceber que era o despertador, desligou-o e deitou-se novamente.
_Ah... Como eu gostaria de dormir por, pelo menos, mais meia hora.- resmungou ela
Isabel levantou-se lentamente e foi para o banheiro. Enquanto a água que caía do chuveiro em seu corpo a despertava, a garota começou a lembrar-se do dia anterior e um sorriso brotou em seus lábios.
“Eu me sinto tão bem organizando tudo isso. Será que é isso que o Senhor quer que eu faça? Eu só espero que dê tudo certo no sábado. Só espero que os jovens se sintam bem e tenham o desejo de estar cada vez mais perto de ti, Senhor... “
Isabel saiu do banheiro e viu a sombra de uma pessoa saindo do quarto.
_Mãe?
A garota foi até a porta e não viu ninguém no corredor.
“Eu pensei que ela estivesse no buffet.” –pensou Isa estranhando.
Isabel saiu do quarto, procurando a pessoa.
“Será que eu estou vendo coisas?! Bom... fantasmas não existem! E se for um ladrão?” 
A garota percebeu que estava de toalha e voltou correndo para o quarto.
_Não pode ser um ladrão!
Após vestir-se, Isabel foi vasculhando lentamente cada cômodo da casa e a busca parecia inútil. Quando se aproximou da cozinha, viu a sombra de alguém na porta que ia para a lavanderia. Pelo tamanho, com certeza não era sua mãe.
“E se for um ladrão, eu estou bem perdida...”
Isabel pegou uma frigideira que estava no balcão e foi andando lentamente em direção a lavanderia; mas antes que entrasse, a pessoa, dona da sombra, saiu de lá. Isabel, ao invés de enfrentar o suposto ladrão, gritou e correu.
_Uau! Que ótima recepção! –exclamou a senhora de estatura mediana e gorda.
Isa apareceu lentamente atrás do balcão que rodeava a cozinha.
_Eu espero que essa frigideira na sua mão seja para fazer omeletes...
Isabel sorriu e colocou a frigideira no balcão.
_Você... ?
_Meu nome é Rose. Pelo visto, seus pais não avisaram a você sobre mim.
_Você é a nova empregada?
_Exatamente. –disse a senhora se aproximando. –E você só pode ser a Isabel, certo?
_Sim... Me desculpe pelo susto. Eu me esqueci completamente que teria mais uma pessoa por aqui hoje. Eu já estava pensando que era um ladrão.
Rose riu.
_Acho que esse tipo de trabalho não serve pra mim. Como você percebeu, é um pouco difícil eu passar desapercebida pelos lugares. Num “emprego” de ladrão eu seria demitida logo.
Isa sorriu.
_O que você quer comer de café da manhã?
_A senhora já preparou alguma coisa?
_Bom... eu fiz um bolo de cenoura...
_Perfeito!
Rose serviu o bolo à garota e preparou um pouco de leite com achocolatado.
_Estava muito bom, Rose! –disse a garota se levantando. –Acho que agora meus pais acertaram. Tomara que eu não engorde com a senhora aqui!
A mulher sorriu.
_Pode deixar que eu cuido bem da sua alimentação. Tenho certeza que você não quer ter o meu “corpinho”. – e com esta última palavra, ela passou as mãos pela cintura.
Isa sorriu.
_Agora preciso mesmo ir.
A garota correu até o quarto, pegou sua mochila e saiu. Tia Branca já estava com o carro pronto para sair.
_Bom dia, Isa! –exclamou Carlinhos do banco de trás do carro.
_Que animação, hein? –disse Isabel entrando no carro.
_Eu desisto de chamar a Natália! –exclamou Aline entrando no carro.
_Será que tem que ser assim todo o dia? –disse Branca nervosa.
_Mãe, por que você não dá um carro pra Natália? –perguntou Carlinhos inocentemente
_Um carro?! –surpreenderam-se Branca e Aline
_É... assim ela ia sozinha e na hora que ela quisesse.
_Se eu der um carro a Natália... –disse Branca. - Nem quero pensar no que pode acontecer!
_Pronto! –disse Natália sentando-se no banco do passageiro da frente. –E não estamos atrasados!
Branca ligou o carro e em poucos minutos, as três garotas estavam na faculdade.
_Tchau pra vocês! –exclamou Natália se afastando rapidamente.
_Eu gostaria tanto que ela andasse com a gente. –murmurou Isabel vendo Natália já longe.
Aline olhou surpresa para a prima.
_É sério. –continuou Isa. –Se nós fossemos unidas, não ia ter pra ninguém.
_Talvez você esteja certa, mas não é assim que a Natália pensa. 
_Eu tenho esperança que um dia ela ande com a gente... 
_É bom você pensar assim. Eu já perdi as minhas esperanças de a Natália ser uma garota normal, quero dizer, normal como nós.
_Se é que somos normais. –acrescentou Isabel.
As duas sorriram.
_Bom... –disse Aline. -Precisamos ir pra aula!
_É. Até depois!
As duas, então, se dirigiram às suas salas. Isabel sentou-se no lugar escolhido desde o primeiro dia de aula, bem no meio da sala, e começou a arrumar seu material em cima da mesa.
O professor entrou na sala e pediu que todos abrissem o livro que ele havia recomendado, no dia anterior, na página 25. Isabel olhou em sua mochila e não encontrou o livro. Checou sua mesa, olhou o chão e nada do livro.
“Ah... não! Ficou em casa!”
A probabilidade de encontrar o livro na biblioteca era mínima. O desespero de estar sem o material tomou conta da garota. Todos estavam com o livro aberto.
_Você está sem livro? –perguntou o garoto que estava sentado ao lado de Isabel.
_Estou... –murmurou ela baixinho, para não interromper a aula.
_Você quer ler comigo?
_Claro! –disse Isabel surpresa e contente ao mesmo tempo.
O garoto aproximou sua cadeira e os dois compartilharam o mesmo livro. 
_Muito obrigada mesmo... é... o seu nome...?
_Diogo!
_Obrigada, Diogo! –disse Isabel suavemente. –Você não imagina o quanto eu me senti aliviada com a sua atitude.
_Eu percebi que você estava em apuros...
_Eu agradeço de verdade. –disse ela pegando a mochila e saiu para o intervalo.
Isabel encontrou Aline numa das mesas do refeitório. Estava muito concentrada enquanto escrevia num caderno.
_Eu posso interromper? –perguntou Isabel se sentando
_Eu tenho que terminar isso aqui logo! Depois nos falamos.
_Ok. –disse Isa estranhando.
_Bom dia, meninas! –exclamou Luciano se sentando ao lado de Isabel.
Aline olhou rapidamente para ele e voltou para o caderno.
_Bom dia... –disse Isabel sorrindo. – Digo por nós duas.
_Certo, então. E... como vão os preparativos para o culto de sábado?
_Está tudo ótimo! Nós vamos fazer uma festa do pijama na casa da Aline. 
_Festa do pijama?! –surpreendeu-se o garoto.
_É. –disse Isabel animada. –Vamos fazer até um concurso do melhor pijama.
Luciano sorriu.
_Acho que vai ser muito legal... –disse ele pensativo. –Mal posso esperar.
_Você vai adorar!
_Chega! –exclamou Aline se levantando. –Eu preciso de concentração!
Isabel e Luciano se entreolharam estranhando. Aline se afastou e sentou-se em outra mesa.
_O que ela tem?
_Eu não sei. Quando eu cheguei aqui ela estava escrevendo naquele caderno... Não sei o que é.
_Hum...
_Eu estou morta de fome! –disse Isa se levantando. –Vou comprar alguma coisa.
_Eu vou com você!
Os dois compraram seus lanches e voltaram para a mesa.
_Acho que eu nunca vi a Aline com raiva. –comentou ele olhando para a mesa onde Aline estava.
_É bem difícil isso acontecer. Mas geralmente ela fica assim quando a Natália está por perto...
_Ah... é verdade. Elas duas não se dão muito bem. E... por falar nela, onde ela está?
_Nem tenho ideia. A gente só vê a Natália de manhã, até a hora que chegamos aqui. Depois ela some e só a vemos em casa. Claro, depois de muito tempo de termos chegado.
_Ela não muda... –murmurou Luciano com um sorriso estranho.
_Você ainda gosta dela?
_Ãh?! 
Luciano ficou extremamente surpreso com a pergunta.
_A Aline me disse que vocês namoraram...
_Eu não gosto muito de falar sobre isso. Foi um momento... digamos, esquisito da minha vida.
_Esquisito?!
_É. É estranho você gostar de uma pessoa, ter uma ideia sobre ela, mas depois descobrir que ela é completamente diferente daquilo...
_Você não gosta mais dela, então?
Luciano olhou fixamente nos olhos de Isabel e disse com firmeza.
_Não. 
Isabel se sentiu um pouco constrangida. Seu corpo estremeceu, mas não entendia o que estava acontecendo.
_Voltei! –disse Aline com um enorme sorriso.
Isabel se ajeitou em sua cadeira e Luciano olhou para um lado, como se estivesse disfarçando alguma coisa. Aline ficou observando os dois por alguns segundos, imaginando o que estaria acontecendo.
_O que você estava fazendo que não queria ser interrompida? –perguntou Isabel rapidamente.
_Uma redação. Eu preciso entregar ainda hoje. Era pra eu ter feito ontem, mas a empolgação da festa de sábado acabou atrapalhando um pouco.
_Imagino. –disse Isabel. - Ontem era pra eu ter estudado pra matéria de hoje. Eu até comecei, mas dormi. Daí, eu esqueci o livro em casa e hoje eu fiquei perdida na sala. Ainda bem que o Diogo me ajudou.
_Diogo?! –exclamou Aline bem alto e com um sorriso animado. –Quem é?
_Ele é da minha turma. Ele viu que eu estava sem livro e sentou comigo pra eu ler junto com ele.
_Uau! Você anda cheia de pretendentes!
Luciano olhou para Isabel um pouco sem graça.
_Aline, que bobagem. Ele não é pretendente. A gente nem se conhece.
_Não precisa conhecer pra ser pretendente. Aliás, quanto menos se conhece, melhor pretendente você é.
_Aline, chega disso!
_Tudo bem. –disse Aline desanimada. –Eu vou procurar a professora e entregar a redação.
_Você não vai comer? –perguntou Luciano.
_Perdi a fome.
E Aline saiu.
_O que deu nela? –disse Isabel estranhando.
_Ela deve estar com T.P.M.
A garota sorriu. Após o término dos 20 minutos de intervalo, Isabel foi rapidamente para sua sala. Ao sentar-se em sua cadeira, olhou para o garoto loiro, de óculos, ao seu lado. Diogo estava lendo um livro com toda sua concentração voltada para ele.
_Você parece ser um aluno bem aplicado. –disse Isabel.
Diogo olhou para ela e sorriu.
_Eu tenho que estudar muito. Eu sou bolsista e se tirar notas baixas, estou perdido.
_Ah... então me desculpe por atrapalhar.
_Tudo bem. Acho que já li demais... –disse ele fazendo um movimento circular com o pescoço.
O professor entrou na sala.
_Acho que o seu tempo de descanso já terminou. –comentou Isa.
O garoto olhou para o professor, olhou para Isa e sorriu.
A aula passou rapidamente. O professor passou um exercício em dupla e Isabel sentiu-se muito bem fazendo com Diogo. Ele era muito dedicado e Isabel o admirou.
_Acho que nos saímos muito bem! –disse Diogo, ao término das aulas.
_Você é um bom parceiro para trabalhos.
_Obrigado! –disse ele contente. –Bom, nos vemos amanhã!
_Aham. Até amanhã.
Isabel ficou esperando Aline na portaria.
_A Aline ainda não saiu? –perguntou Luciano se aproximando
_Não...
Os dois ficaram em silêncio por um longo tempo.
_Estavam me esperando? –perguntou Aline se aproximando rapidamente.
_É. –disparou Isabel. –Você demorou hoje.
_Estava resolvendo algumas coisas...
_Vocês querem carona?
_Sim!
_Não! –exclamou Aline
Isabel e Luciano olharam para a garota.
_Nós precisamos ir à casa do Fábio! –informou Aline à Isabel
_Quem?!
_Você não disse que queria alguém que tocasse na festa?
_Eu posso levar vocês até lá. –disse Luciano gentilmente.
_Não. Obrigada.
_Aline!
_Nós precisamos conversar sobre a festa... –disse Aline puxando Isabel. –E você deve ter muita coisa a fazer, Luciano. Não se preocupe com a gente!
_Aline! –exclamava Isabel, enquanto ela a puxava para fora.
Luciano ficou observando as duas se afastarem.
_O que deu em você hoje, hein? –reclamou Isabel, quando as duas estavam no ponto de ônibus.
_Não é nada. –murmurou Aline.
_Você não é assim. Você está me tratando como trata a Natália.
Aline olhou preocupada para Isabel.
_Deve ser o meu medo de você se tornar uma segunda Natália.
_O que?! Eu não serei uma segunda Natália. Eu nem consigo agir como ela e...
_Mas pode tomar o lugar dela.
_Do que você está falando?
A garota olhou para o lado, tentando não encarar Isabel.
_Você pode se tornar a nova namorada do Luciano.
Isabel espantou-se.
_Você está maluca?! Eu... eu nem gosto... dele!
_Eu vi vocês dois no refeitório.
_Você está imaginando coisas...
_Ele gosta de você.
_Você realmente está imaginando coisas! 
_Me desculpe por ter agido daquele jeito... Mas é que é tão difícil me sentir rejeitada pela segunda vez.
_Rejeitada?! Do que você está falando?
_É que... eu gosto do Luciano.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Capítulo 29

Aline puxou Isabel pelo braço.
_Vamos lá!
_Eu não estou pronta! –disparou Isa desesperada
_Vamos só até lá ver o que está acontecendo. Você não pode fazer isso?
_Posso... –murmurou ela ainda temerosa
As duas garotas se dirigiram até a sala e sentaram-se no sofá em frente aos dois homens.
_Essa, então, é a sua sobrinha? 
_Sim... –respondeu Guilherme contente. –Tem sido muito bom desde que sua família se mudou para cá.
_A gente se dá muito bem! –exclamou Aline
_Dá pra perceber... E... a Natália?
_Daqui a pouco ela deve estar por aí...
Guilherme olhou para Aline preocupado.
_Bom... acho que já acertamos tudo! –disse Silvio se levantando
Aline e Isabel entreolharam-se estranhando.
_Você já vai? –perguntou Aline surpresa
_Tenho que resolver algumas coisas. A paz do Senhor, irmão Guilherme. Obrigado pela sua atenção.
_Imagine... Sabe que pode contar comigo para o que for preciso.
_Obrigado. A paz do Senhor, meninas. 
_A paz... –responderam as duas 
_Ah... cumprimente também a sua esposa por mim!
_Pode deixar! –assegurou Guilherme. 
Os dois homens caminharam até a porta e em alguns minutos, Guilherme retornou à sala.
_O que aconteceu? –perguntou Aline curiosa
_Mais problemas... o culto de sábado será cancelado.
_O que?! –espantaram-se as garotas
_Como? Por que? –continuou a filha do pastor
_O Silvio terá de viajar este fim de semana.
_Mas uma outra pessoa não pode substituí-lo?
_Esse é o problema. Quem?


Após o almoço, Aline e Isabel foram estudar na casa desta. A atenção das duas, porém, estava submersa em outros assuntos.
_Eu não consigo estudar! –resmungou Aline largando sua lapiseira.
_Imagino como você deve estar se sentindo. Eu nem conheço direito os jovens da sua igreja, mas estou preocupada.
_O culto mensal dos jovens é o que os reúne, sabe? Eu sei que não estava lá essas coisas, mas adiar é uma decisão extrema.
_Por que o tio Gui não assume a liderança deste culto?
Aline gostou da ideia.
_Ele já trabalhou com os jovens... –comentou Aline. – Podíamos falar com ele!
As duas sorriram, levantaram-se empolgadas e correram até a casa de Aline.
_Pai! –exclamou a garota ao abrir a porta de casa. –Paaaaai!!!
_O que foi, sua maluca? –perguntou Natália descendo as escadas calmamente
_Eu quero falar com o pai.
_Ele está trabalhando. Esqueceu, é?
_É verdade... –murmurou a garota desanimada. –Vamos ter que esperar pra falar quando ele voltar.
_Por que toda essa agitação?
_Nós íamos dar uma idéia para que o culto de sábado não fosse cancelado.
_O que?! Como assim cancelado?
_O Silvio não vai estar sábado aqui e...
_Espere aí! Você está falando que não vai ter aquele culto chato?
_Eu não disse que não vai...
_Se o Silvio não estiver, quem vai organizar? –disse a garota sorrindo.
_Não acredito que você está feliz com isso... 
_Esse culto já estava um lixo faz tempo. Até passou da hora de acabar com isso tudo. Ninguém gosta!
Natália passou por entre Aline e Isabel e saiu da casa.
_Isso é que é tentar desanimar alguém... –comentou Isabel
_Disse bem, tentar...
_É... Ela não conseguiu. Não desistiremos, certo?
_Certo!
_Sabe... e se nós fizéssemos uma pesquisa com os jovens da igreja sobre o que eles gostam?
_Como assim?
_Podíamos ligar para eles e descobrir do que gostam. Seja o que for: música, comida, hobbie... Vamos descobrir do que os jovens gostam. Se ninguém estiver disponível para fazer este culto, nós o faremos!
_Ah... agora gostei de ver! –disse Aline contente. –Finalmente está colocando a mão na massa, embora eu não saiba o que você tem em mente.
_Eu também não sei onde isso vai dar, mas acho que é um bom começo saber do que os jovens gostam.
_Certo. Eu vou pegar a minha agenda.
As garotas gastaram quase 4 horas do dia ligando para os jovens; cada uma em sua casa.
_O que você está fazendo? –perguntou Elisa a filha, ao entrar na sala
_Estava ligando para algumas pessoas. –disse Isabel contente. –A Aline e eu estamos fazendo uma pesquisa para poder melhorar o culto de jovens.
_Que bom.
_Eu preciso ir agora! –disse Isabel saindo apressada
_Onde?
_Na casa da Aline!
_Essas duas juntas abalam o mundo... –disse Elisa consigo
As duas garotas juntaram suas anotações e avaliaram.
_Gostos bem diversos... –comentou Aline
_É... –disse Isa admirada. –Mas é interessante...
_Posso entrar, meninas? –interrompeu Branca batendo na porta do quarto de Aline
_Pode. –responderam as duas
_Vocês querem comer um lanche?
_Já tinha até esquecido que existia comida. –disse Aline sorrindo.
_Vocês andaram misteriosas hoje...
_Não é mistério não, tia. Fizemos uma pesquisa com os jovens...
_Pesquisa? Como assim?
_Ligamos para todos eles, ou pelo menos, os números que eu tinha na minha agenda, e perguntamos sobre coisas que eles gostam...
_Como música, comida...
_Interessante. Mas qual o propósito disso?
_Gerar uma ideia para o culto de jovens.
_Mas não foi cancelado?
_Enquanto há vida, há esperança! –exclamou Aline dramáticamente
_Se ainda não chegou sábado, acho que ainda temos tempo para fazer alguma coisa!
Branca sorriu.
_Estou orgulhosa de vocês! Se precisarem de alguma coisa, podem falar comigo, Ok?
_Ok. –responderam as duas animadas.
_A propósito, o papai já chegou?
_Sim. Está no escritório.
Aline e Isabel saíram apressadamente do quarto.
_Calma, meninas! –exclamou a mulher espantada. –Vocês podem se machucar...
_Posso entrar, pai? –perguntou Aline abrindo a porta.
_Pode. –murmurou Guilherme
As duas foram se aproximando lentamente, com os papéis em suas mãos. Guilherme, que estava lendo alguns papéis, olhou por cima de seus óculos e depois levantou a cabeça.
_O que vocês querem?
_Sabe... –começou Aline. -Estivemos pensando sobre o culto dos jovens...
_Foi só uma idéia...
_E queremos saber se você concorda com a gente!
_O que vocês pensaram?
_Você bem que poderia liderar o culto dos jovens... –disse Isabel receosa
_É... você já trabalhou com jovens e tem uma noção de...
_Olha. Eu sei que vocês estão animadas, mas... Eu não posso!
_Por que? –perguntaram as duas se sentindo desamparadas.
_Justo no sábado haverá uma reunião do Conselho de Pastores do Ministério. Não posso faltar...
_Ah... tudo bem, então. –murmurou Aline com tristeza
_Mas estou gostando de ver a perseverança de vocês. Tentem mais um pouco, quem sabem não arrumam uma solução.
_Aham.
As garotas saíram do escritório e foram para a cozinha.
_Nós tentamos. –disse Aline sentando-se ao balcão
_Eu sei que parece impossível, mas não podemos nos dar por vencidas!
_Conseguiram alguma coisa com o papai? –perguntou Natália se aproximando
_Não é da sua conta! –exclamou Aline
_Já vi que não. 
_Já que você não quer ajudar, por que não desaparece?
_Aline! Ela é sua irmã!
_Não se preocupe, Isabel. As pessoas que não são amadas descontam sua amargura nos outros!
Isabel espantou-se com as palavras de Natália, que saiu rapidamente da cozinha.
_Se eu pudesse, mandaria essa garota para a China, sem passagem de volta.
_Por que pra China?
_Não sei. Foi o primeiro lugar que eu pensei.
As duas olharam uma para a outra e sorriram.
_Sabe o que me dá mais força pra arrumar uma solução pro culto?
_O que?
_A Natália.
_O que?! –espantou-se Aline. –Ela só nos põe pra baixo.
_É exatamente isso. Ela não quer o culto. Ela não gosta. Além de estar agindo muito mal ultimamente.
_E por que isso te anima?
_Imagine quantos jovens pensam como ela! Esses são o que podemos chamar de “fase crítica”, que estão a ponto de deixar a igreja. São esses que devemos amar e buscar. Temos que atraí-los e fazer com que percebam que Jesus é o único que faz a vida se tornar mais doce...
_Você vai me fazer chorar desse jeito.
_Vocês querem alguma coisa? –perguntou a empregada se aproximando.
_Me faz um sanduíche de peito de peru?
_E você?
Isabel ficou pensativa. Há alguns meses ela estivera no mesmo posto que aquela senhora do outro lado do balcão.
_Qualquer coisa que estiver disponível.
Aline olhou surpresa para a prima.
_Isso é um pedido?
_Pra que vou exigir? Ela deve ter tanta coisa pra fazer...
_Esse é o trabalho dela! Acho que você andou fazendo coisas demais hoje...
_Como estão as coisas por aqui? –perguntou Branca entrando na cozinha
_Voltamos a estaca zero. –anunciou a filha
_Por que?
_A nossa ideia era que o tio Gui liderasse o culto de sábado, mas...
_Ele tem reunião.
_É... –murmuraram as garotas.
_Acho que o maior problema não é se não tivermos o culto.
_Como assim, Isa? –estranhou Aline
_Acho que não precisamos fazer um culto. Se fizéssemos alguma coisa que somente unisse os jovens, mas que tivesse uma proposta evangelística ou de ensino... enfim, que atraísse os jovens para Deus.
_Mas o que seria isso?
_Eu tive uma ideia! –exclamou Branca sorrindo. –Podemos fazer uma festa!
_Uma festa, mãe? –repetiu Aline desanimada
_Por que não?
_Acho que é uma boa idéia... –disse Isa pensativa. –E seria mais legal ainda se fosse uma festa a caráter!
Aline sorriu.
_Acho que estou gostando... Todo mundo gosta de festas assim! Acho que atrairia bastante gente.
Branca sorriu.
_Tia, você ajudaria a gente?
_Com certeza, Isa! 
_Legal! Tive uma ideia ótima!
Isabel saiu apressada da cozinha.
_Calma, Isa! –exclamou Aline correndo atrás da prima. –Me conta o que você vai fazer!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Capítulo 28

Isabel chegou em sua casa e sentou-se no sofá da sala. Ao admirar aquela casa, a garota se sentia grata a Deus por ter um lugar tão maravilhoso para morar.
Isa tirou seus tênis e deitou no sofá.
"Nada como um sofá confortável! Ah... faculdade cansa!"
A garota começou a lembrar-se de quando era criança e o quanto havia crescido. O futuro tão distante agora era real. Como seria daqui pra frente? Isto era um mistério.
"Senhor, só Tu sabes o meu futuro. Ensina-me a caminhar na direção certa para que os Teus planos se cumpram."
Em seus profundos pensamentos, Isa adormeceu. No mundo dos sonhos, a garota estava agora dentro de um barco e ao seu redor havia um imenso mar. Isabel via várias varas de pescar como que fincadas na água e por todos os lados peixes saltavam da água, mas nenhum "mordia" o anzol. Então, Isabel pegava uma imensa rede de pesca e jogava ao mar. Mal entrava na água e os peixes já estavam presos naquela rede. Com uma força que a garota não sabia de onde vinha, ela puxava a rede que quase se rasgava com a quantidade de peixes contida nela.
_Isa! -exclamou Aline
Isabel abriu os olhos assustada.
_Não acredito que você dormiu tão rápido!
_É que eu estou tão cansada...
_Eu também... E pior que vai ser assim todo dia! Uma hora a gente se acostuma.
_É... -disse Isabel um pouco perdida na realidade.
_Você está com uma cara...
_É que eu tive um sonho estranho...
_Com o Yuri?
_Que Yuri, Aline! É sério!
_Então, me conta!
Isabel contou o sonho a sua prima, que também nada entendeu.
_Estranho mesmo... Será que você vai ficar mais rica?
Isabel sorriu.
_Mais rica como, Aline?
_Não sei... peixes... Você já pensou em abrir uma peixaria?
Isabel sorriu.
_Acho que esse sonho não tem nada a ver com dinheiro...
_Nunca se sabe! Bom, eu vim aqui te chamar pra almoçar lá em casa. A tia Elisa ligou, disse que não virá tão cedo pra casa hoje e que era pra você ir lá pra casa...
_Que ótimo! -disse Isa desanimada. -Eu vou só trocar de roupa e já vou pra lá.
_Tudo bem. Eu te espero.
Depois de Isa se trocar, as duas foram para a casa de Aline. Na sala de jantar estavam Branca, Guilherme e Carlinhos.
_Sua irmã ainda não chegou...
_Não se preocupe, mãe. Ela deve estar a caminho.
As duas garotas se sentaram à mesa.
_Como foi o primeiro dia de aula? -perguntou Guilherme
_Maravilhoso! -exclamou Aline
_Foi mesmo... É só um pouco estranho perceber que já estou nesta etapa da vida.
_Pois é... o tempo passa rápido. Por isso temos que aproveitá-lo da melhor maneira possível.
"Será que eu estou aproveitando bem o meu tempo?"
Enquanto Isabel refletia um pouco sobre como havia gasto seu tempo nos últimos anos, um barulho na sala chamou a atenção de todos.
_Natália! -exclamou Branca indo rapidamente para a sala
_Não estou com fome! -disparou a garota subindo as escadas rapidamente.
Aline e Isabel entreolharam-se.
_Mãe, eu tô com fome... -resmungou Carlinhos
_Vamos comer! -decidiu Guilherme
_Mas, Gui... Temos que falar com ela! Ela não pode ficar agindo desse jeito. Está virando um hábito já.
_Vamos almoçar. Uma hora ela sentirá fome.
Após uma linda oração feita pelo pastor da casa, todos se serviram.
_O culto mensal de jovens será neste sábado... -comentou Guilherme, após alguns minutos de silêncio, somente interrompido pelo barulho dos talheres.
_Já é neste?! -surpreendeu-se Aline
_Por que essa cara?
_É que os eventos com os jovens estão tão chatos!
_Como assim?
_É o Silvio!
_Mas é o jeito dele, minha filha...
_Pois é. O jeito dele não está agradando. Acho que o tempo dele neste cargo já passou há muito tempo.
_Mas eu não posso tirá-lo de lá...
_Mas você tem que fazer alguma coisa, pai! Muitos jovens preferem ir a outros lugares do que aos cultos mensais. Daí eles não vêm aos cultos mensais, depois nem aparecem aos cultos diários, até que desaparecem de vez da igreja.
_Você está exagerando...
_Ela tem razão, amor... -disse Branca. -Temos que dar mais atenção aos jovens. Essa geração precisa se envolver mais com as coisas da igreja. Se não fizermos alguma coisa rápido, o mundo tem muitas coisas a oferecer...
O argumento de Branca pareceu surtir efeito, mas a solução ainda não havia surgido. Após o almoço, Isabel e Aline foram ao shopping comprar mais alguns materiais para a faculdade.
_Onde será que a Natália estava?
_Eu nem quero pensar nisso... -disse Aline observando alguns conjuntos de canetas coloridas.
_Sua mãe tem razão.
_Sobre o que?
_Sobre o mundo ter tantas coisas... Nós temos sorte de estarmos num lado oposto disto. Quer dizer, a gente pode escolher o tipo de vida que queremos viver. Se quiséssemos "curtir" o mundo, nós poderíamos, mas não!
_É... temos sorte, mas muitos jovens preferem curtir.
_Eu sei. Eu fiquei preocupada com o que você disse hoje. É tão perigoso se os jovens saírem da igreja... gostaria de ajudar...
Aline olhou surpresa para Isabel.
_Você quer?!
_Bom... eu...
Isabel não havia pensado nas suas palavras. Ajudar significava realmente fazer alguma coisa e Isabel tinha medo de fazer alguma coisa.
_Eu poderia falar com o meu pai...
_Não! Eu só comentei. Eu não sei o que fazer. Eu só disse porque...
_Aí está você novamente! Por que você tem medo de fazer as coisas?
_Não estou com medo.
_Está sim, Isabel! Meu Deus, garota! Você já fez tantas coisas ano passado e agora está com medo de fazer...
_Ah... as coisas que aconteceram ano passado são completamente diferentes!
_Você está com medo!
_Tá. Admito. Estou com medo. Aline, você tem noção da proporção que é isto? É a sua igreja. São vários jovens!
_Pois é, Isabel. São vários jovens... Vários jovens que precisam de atenção, se não eles vão curtir por aí...
_Eu não posso, Aline. Eu não saberia o que e como fazer.
_Tudo bem. Mas pense nisso. Você poderia ser uma ótima organizadora de eventos de jovens... Seria até um tipo de estágio pra você.
_Aline, eu mal comecei a estudar. Você está maluca?
_Eu só estou dando uma idéia de um novo rumo para sua vida.
Isabel não conseguiu dormir àquela noite pensando em todos os acontecimentos do dia.
"Será mesmo que pode haver uma relação entre a minha faculdade e a igreja? Eu realmente quero ajudar, mas..."
Isabel não conseguia imaginar-se a frente de um conjunto, liderando e organizando coisas.
"Eu queria parar de ser tão medrosa!"
A garota lembrou-se, então, quando estava almoçando na casa dos tios e tio Gui falou sobre aproveitar o tempo.
"Senhor, pra mim isso parece uma loucura, mas eu realmente não quero gastar o meu tempo em vão. A minha vida eu entreguei a Ti e o tempo que eu tenho quero gastar da melhor forma. Me ajude... "


_Eu quero fazer alguma coisa! - exclamou a garota quando se encontrou com Aline, no outro dia, para irem juntas a faculdade.
_Sobre o que você está falando? -perguntou a prima confusa
_Sobre os jovens...
_Eu sabia que você ia aceitar.
_Mas como eu posso fazer alguma coisa? Eu quero ajudar, mas não sei o que fazer, Aline.
_Calma... quando voltarmos, a gente fala com o meu pai.
A idéia de ajudar era tão excitante que Isabel mal conseguiu prestar atenção na aula. Após o término, Isabel foi para a portaria esperar a prima. Desta vez, não sairia de lá por nada.
_Olá! -disse uma voz se aproximando
Era o "garoto sorriso".
_Olá! -exclamou Isabel sorrindo
_Não está perdida hoje, está?
_Não... combinamos de nos encontramos aqui. Acho que hoje não haverá problemas.
Aline se aproximou por trás de Luciano.
_Já vi que arrumou companhia... -comentou a garota
Luciano se virou e a garota surpreendeu-se.
_Luciano?!
_Olá, Aline. Você que é a prima da Isabel?
_Sou. Nossa... esse mundo é pequeno demais!
_Pois é...
Aline parecia perdida.
_É bom saber que pessoas como vocês estão estudando aqui.
_A Natália também está... -disse a garota desanimada.
_Ah... é? -disse Luciano um pouco surpreso. -E ela está gostando?
_Do curso, eu não sei, mas dos "amigos"...
_Ela não muda, não é mesmo?
_Não...
_É... vocês querem uma carona?
Aline olhou animada para Isabel.
_E a Natália? -perguntou Isa
Natália vinha acompanhada de um grupo de garotos, mas passou direto pela irmã e prima, sem dizer nada.
_Acho que ela não precisa da gente. -murmurou Aline
_Então... vamos? -perguntou o garoto
Os três foram para o carro de Luciano, que Isabel reparou ser bem confortável.
_Uau! -exclamou Aline. -Esse carro é o máximo!
_É o novo modelo dessa linha de carros.
_Maravilhoso!
O garoto ligou o som do carro numa rádio cristã, onde estava tocando uma música bem animada.
_Aumenta um pouco... -pediu Isabel. -Eu adoro essa música!
_Sério? -disse o garoto aumentando o volume do som. -Eu também.
Os dois trocaram olhares e Luciano sorriu.
_É esse tipo de música que deveria tocar nos cultos de jovens. -comentou Aline
_Se tivesse música, já seria um começo.
_Como assim? -perguntou Isabel. -Não há música?
_Não. -responderam Luciano e Aline
_Como isso é possível? Os jovens gostam de música.
_Eu disse que a coisa estava feia, Isa...
_Bom, então uma das idéias seria colocar música... e de qualidade.
_Ela vai ajudar nos cultos. -comentou Aline
_Sério?!
_Nós ainda nem falamos com o tio Gui, Aline!
_E você acha que ele vai recusar?
_É muito bom saber que vai haver mudança. Dá até um ânimo de participar do culto.
Aline sorriu.
_Acho que desta vez, as coisas vão mudar. -disse a garota.
Luciano deixou as garotas na porta da casa de Aline e foi embora.
_Ele é bem legal. -comentou Isabel.
_É... -murmurou Aline sorrindo. -Ele já frequentou bastante aqui, sabia?
_Como assim?
_Ele namorou a minha irmã.
_Não acredito!
_Pois é... Os nossos pais são super amigos e achavam que eles eram um par perfeito...
_E quanto tempo durou?
_10 meses. Ele achava que a Natália era um pouco fútil.
_É... ele realmente não parece ser o tipo de pessoa que daria certo com a Natália.
As duas entraram na casa de Aline.
_Eles só esqueceram que eu também existo... -murmurou Aline desanimada
_O que?
_Que bom que vocês chegaram! -exclamou Guilherme. -Olha quem está aqui!
Aline deu mais alguns passos e viu Silvio sentado no sofá da sala.
_Quem é? -perguntou Isabel
_É o Silvio.
O coração de Isabel disparou. Era a hora de entrar em ação.
"Se eu correr, alguém vai notar?"

domingo, 15 de março de 2009

2ª FASE: Capítulo 27

_Isa! Isa! -exclamou Aline freneticamente. -Levante! Vamos!
_Hum... -resmungou a garota sem abrir os olhos. - O que foi?
_Hora de acordar! Você não vai querer chegar atrasada no seu primeiro dia de aula na faculdade, vai?
Isabel abriu os olhos de repente.
_Nossa! É hoje!
Desprezando a preguiça e o sono, a garota levantou-se e correu ao banheiro de sua suíte. Já havia se passado 3 meses desde a sua mudança para São Paulo, mas ainda era difícil habituar-se. Sua casa era maior que a outra, nos tempos anteriores a crise financeira que sua família passara, mas a vida simples a havia transformado de tal forma que não voltou a valorizar o luxo. Tanto espaço em sua nova casa e Isa abrigava-se sempre em seu quarto, na companhia de sua prima, Aline. Agora, sua família era vizinha de tia Branca, o que amenizou a mudança brusca em sua vida, pois a presença de Aline sempre a animava e a fazia esquecer (mesmo que por alguns instantes) tudo o que havia vivido no ano anterior...
_Que bom te ver animada assim! -comentou Aline, enquanto a prima se trocava
_Eu estou animada, mas não por completo...
_Eu sei que você sente falta dele...
Isabel parou seu olhar no ar. Sua mente voltou àquela noite maravilhosa, em que os seus sonhos tornaram-se reais. Apenas lembranças... Após a mudança, não conseguira comunicar-se novamente com Yuri. Toda vez que ligava para sua ex patroa, Akira, ele não estava. Um mês após sua mudança para São Paulo, Yuri decidiu matricular-se num instituto teológico, logo que concluiu o ensino médio. Passaria lá um período indeterminado, numa cidade do interior de São Paulo. Definitivamente, suas relações estavam cortadas.
_Isa, eu sei que é difícil pra você, mas... ânimo! Hoje é o começo de uma nova etapa na sua vida... aproveite!
_Você tem razão. Bola pra frente!
_É... isso aí! -exclamou Aline contente
_Vamos descer, que o café já deve estar pronto...
_Já estou sentindo o cheirinho daqui...
As duas garotas foram para a cozinha e sentaram-se no balcão que rodeava quase toda a enorme cozinha.
_Bom dia, mãe!
_Bom dia, minha filha. -disse Elisa colocando o café em cima do balcão. -Eu acho melhor vocês mesmas se servirem de café. Aquela moça que contratei faltou de novo...
_Acho melhor procurar outra, hein, tia!
_Será que sua mãe não conhece alguém pra me indicar? Hoje em dia é tão perigoso contratar qualquer pessoa...
_É melhor você perguntar a ela.
_Bom, não posso fazer isso agora. -disse Elisa saindo da cozinha. -Tenho que organizar algumas coisas lá no salão do novo buffet!
_Mal posso esperar pela inauguração! -exclamou Aline
_Em breve estará tudo pronto! -disse Elisa saindo. -Ah, a sua mãe vai levar vocês, não é?
_Sim... ela vai levar a gente!
_Ótimo! Depois eu quero saber de todos os detalhes sobre o primeiro dia de aula, hein?
_Pode deixar! -disseram Isa e Aline empolgadas
_Estou começando a ficar nervosa...
_Eu também!
_Será que eu escolhi a coisa certa?
_Ah... essa pergunta... de novo não!
Isabel sorriu.
_Você mesma disse que adoraria ajudar sua mãe no buffet! Hotelaria foi uma ótima escolha... Acho que combina bem com você.
_Mesmo?
_Mesmo. Não se preocupe, Isa... Vai dar tudo certo.
Após terminarem o café da manhã, as duas foram para a casa de Aline.
_Bom dia, Isa! -exclamou Carlinhos
_Bom dia, Carlinhos...
_Você tá nervosa pro seu primeiro dia de aula?
_Um pouquinho... Aline! E se tiver trote?
_Não tem trote. Lá eles não permitem isso! Eu mesma pesquisei sobre isso...
_Você tem certeza?
_Fique tranquila, Isa. Você está me deixando nervosa também...
_Prontas? -perguntou Branca aproximando-se
_Não. -respondeu Aline. -Falta a Natália...
Carlinhos retorceu o rosto.
_Natália! -gritou Branca, ao pé da escada
_Tô indo!
Alguns minutos depois, Natália aparece, impecavelmente pronta... para uma festa.
_Você vai pra escola assim? -perguntou Carlinhos rindo
_Não é escola, é faculdade! -exclamou a garota. -E não tem nada de mais em me arrumar um pouquinho...
_Pouquinho?! -espantou-se Aline
_Filha... acho que você exagerou um pouquinho, não?
_Mãe... eu tô na faculdade! Não é mais escola! Na escola a gente tinha que vestir uniforme, mas agora é outra coisa! Faculdade... Liberdade!
Aline e Isabel entreolharam-se.
_Você é quem sabe... -murmurou Branca, preferindo não contestar a filha.
Os cinco foram para o carro. Branca deixou primeiro Carlinhos e depois, as três calouras.
_Boa sorte! -exclamou ela sorrindo orgulhosa
_Vai logo, mãe! -esclamou Natália. -Não quero que ninguém veja a gente assim... de carona.
Branca mandou um beijinho e saiu.
_Não vejo a hora de tirar a minha carta! -resmungou a garota. -Ninguém merece ficar vindo pra faculdade de carona com a mãe.
_Natália, por que você não vai procurar o seu curso? -perguntou Aline com sutileza
_Eu também não pretendia ficar com vocês por muito tempo. -disparou a garota. -Isso pode prejudicar minha reputação.
E Natália saiu andando.
_Ela é ridícula! - resmungou Aline.
_Você acha que ela realmente vai se dar bem em Arquitetura?
_Sei lá. Ela se dá bem em tudo, mas não pelo próprio esforço...
_Imagino... Ainda bem que você é o oposto dela! Você sim vai se dar muito bem em Jornalismo! É a sua cara!
_É o meu sonho! Bom... vamos procurar nossa turma? Literalmente.
As duas sorriram e foram procurar informações sobre suas respectivas salas.
_Até que não ficaremos tão longe... -disse Aline. -Eu no terceiro e você no quarto andar.
_Eu queria que você estivesse comigo...
_Isa, relaxa! Você é tão forte pra algumas coisas e fica tão apavorada com coisas inferiores.
_Eu sou um pouco insegura, às vezes.
_Às vezes?
_É... -disse a garota sorrindo
_Você vai ficar bem! -disse Aline abraçando-a.
As duas se separaram. Isabel encontrou rapidamente sua sala e percebeu que muitos de seus colegas estavam tão nervosos quanto ela.
"Realmente... não há motivos para tanto medo!"
O primeiro professor entrou à sala, acompanhado do coordenador do curso. Este fez uma breve apresentação do curso e de algumas regras da Universidade. Logo que saiu da sala, o professor começou a apresentar sua matéria e Isabel começou a acreditar nas palavras de sua prima: "Hotelaria foi uma ótima escolha... Acho que combina bem com você."
Por ser primeiro dia de aula, os alunos foram dispensados mais cedo. Isabel foi até a portaria para ver onde era a sala de Aline e esperá-la. Porém, ao chegar à sala, não havia ninguém.
_Ah... não. E agora?! Pra onde ela foi?
Isabel começou a se desesperar. Aquela Universidade era assustadora em tamanho.
"Calma... Eu já estou bem grandinha para me sentir assim. Eu estou na Universidade, sou uma universitária, posso me virar sozinha!"
Isabel voltou-se para o lado do elevador e trombou com alguém. Sem poder controlar-se, começou a chorar.
_Me desculpe! -disse o garoto desesperado. -Onde eu te machuquei?
Isabel tentava conter suas lágrimas.
_É melhor eu te levar para a enfermaria...
_Não! -exclamou a garota. -Eu estou bem. É só que... que eu estou perdida.
O garoto sorriu. Aquele sorriso aqueceu o coração de Isabel e a acalmou.
_Na verdade, eu me perdi da minha prima. -continuou ela rapidamente.
_Talvez ela esteja na portaria, esperando por você.
_Eu já fui até lá...
_Vamos até lá novamente. Talvez vocês tenham se desencontrado.
Os dois foram para o elevador.
_Eu me chamo Luciano!
_Eu sou Isabel... obrigada por ser tão gentil.
_Bem... não me custa nada. -disse ele sorrindo.
"Que sorriso!"
Isabel começou a reparar no garoto, que não devia ter mais que 20 anos. Era ruivo, tinha cabelo encaracolado e curto, olhos verdes, pele cor de pêssego e sardinhas no rosto.
_Essa universidade realmente não é pra qualquer um. -comentou Luciano. -Eu ainda me perco, às vezes.
_Há quanto tempo você estuda aqui?
_Dois anos. Curso Direito.
_Nossa! Que legal!
Os dois saíram do elevador, rumo a portaria.
_Ela não está aqui...
_Você tem celular?
Isabel sentiu-se uma boba.
_Por que eu não pensei nisso? Era só ligar, não é? Que boba eu sou!
_Não. Você não é boba. Só uma universitária inexperiente.
Isabel ligou para Aline e soube que esta já estava indo para a portaria.
_Está vendo? Não há motivos para se desesperar.
_É... muito obrigada pela companhia. Acho que você deve ter muita coisa pra fazer e...
_Você está me expulsando? -exclamou o garoto com ironia
_Não! -disse Isa com desespero. -Eu só achei que...
_Fique calma. -disse Luciano sorrindo. -Eu tenho mesmo que ir... Foi um prazer conhecer você, Isabel.
_Obrigada por tudo!
_Não foi nada.
Enquanto observava Luciano indo embora, Aline chegou por trás de Isabel.
_Sentiu a minha falta? -pergntou ela a Isa
_Eu só fiquei um pouco desesperada por não encontrar você.
_Ah... não acredito!
_Mas um garoto me ajudou a...
_Ah... fala sério! -interrompeu Aline indignada. -Você mal chegou aqui e já arrumou pretendentes!
_Que pretendentes, Aline? Foi só uma ajuda...
_Você sempre teve mais sorte que eu, em relação aos garotos... -murmurou Aline com tristeza
_Ah... você está delirando agora. Isso não é verdade.
_E quanto ao Yuri?!
_Isso é outra história! Aline... nem vem com essas suas "neuras"!
_Tá... só por hoje, que é um dia especial! Como foi sua aula?
_Ótima! Acho que você tinha razão quando disse que esse curso era a minha cara.
_Eu sei que é.
_Que horas a mamãe vem nos buscar? -perguntou Natália se aproximando, mas olhando para os lado, certificando-se de que ninguém estivesse olhando.
_Ela não vem nos buscar, Natália.
_Como não?!
_Nós vamos de ônibus.
_Ônibus?! Nem morta eu ando naquilo...
Aline e Isa entreolharam-se.
_Acho que vou pedir carona pra...
_Carona? Não era você que não gostava de andar de carona?
_Não quando o motorista é... Alexandre! -exclamou ela indo em direção a uma turminha de garotos.
_É... essa não muda mesmo!
_Vamos embora, então? -perguntou Isa
_Vamos! Acho que a Natália se vira por aí...
Aline e Isabel se dirigiram ao ponto de ônibus. Isa pensava na atitude de sua prima, Natália. Como podia ser tão diferente de Aline? As duas foram criadas num lar cristão. O pai das duas, Guilherme, era pastor e um ótimo pai. A criação fora excelente, mas Natália, ao chegar na fase da adolescência, começou a se rebeliar. Isa não entendia o porquê.
"Talvez ela nunca teve um encontro real com Jesus."

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Capítulo 26

Isabel passou todo o seu final de semana empacotando coisas. Carina as ajudou bastante, assim, o trabalho foi mais rápido do que todos imaginavam. Quando Isabel chegou da escola, na segunda feira, os objetos da casa estavam praticamente todos empacotados.
_Vocês arrumaram rápido... -murmurou Isabel com desânimo
_A Carina é eficiente! -exclamou Elisa contente
_Estou vendo...
_Você fará mais uma prova amanhã, certo?
_É. É a última.
_Ótimo! Seu pai disse que a gente pode ir na quarta...
_Quarta?! Mas... já?
_E você queria esperar até quando, Isabel?
A garota soltou um suspiro.
_Eu só... bem... não é nada! Eu preciso ir à casa da Akira hoje.
_Tudo bem! O almoço está pronto, ok? -disse Elisa pegando sua bolsa. - Eu vou ao buffet acertar algumas coisas e mais tarde eu volto.
_Ok.
Após o almoço, Isabel dirigiu-se à casa de Akira,
_É a última vez... -murmurou a garota com lágrimas nos olhos.
Isabel apertou a campainha e Akira logo veio atender.
_Isabel! Que bom que você veio... Por que não entrou? Perdeu a chave?
_Não... -murmurou a garota. -Está aqui.
Isabel abriu a mão, mostrando as chaves.
_Eu apertei a campainha pra poder me lembrar desta cena... É a última vez que venho aqui...
_Mesmo?
_A gente vai se mudar na quarta feira...
Isabel lançou-se nos braços de Akira.
_Eu não quero ir! -exclamou a garota chorando
_Calma... Vamos entrar!
As duas foram para a sala.
_Não posso dizer que fico feliz pela sua mudança... vou sentir muito a sua falta.
_Eu também... -disse a garota enxugando as lágrimas
_Mas eu não sei o que Deus tem reservado pra você em São Paulo. Você, Isa, é uma garota muito preciosa... Acredito que o Senhor tem muito pra te oferecer lá.
_Eu estou tentando entender o porquê dEle estar fazendo isso justo agora que tudo está tão bem...
_Por isso mesmo. Tudo está bem. Você já fez o que tinha que fazer e... muito bem! Agora Deus tem planos pra você em outro lugar. Sei que não é fácil, mas uma coisa que você me ensinou é confiar em Deus a todo instante, porque Ele sabe o que faz!
_Preciso confiar mais nEle mesmo...
_Então, mude logo essa cara! Quero ver a garota alegre que eu conheço!
Isabel deu um sorriso.
_É isso aí!
_E... o Yuri?
_Ele foi ao supermercado pra mim... Ele mudou tanto, Isa... Nossas orações chegaram a Deus.
_Eu fico tão feliz por tudo isso...
_É tudo maravilhoso, não?
_Aham... e esse seu namoro, hein?
_Ah... -murmurou a mulher sorrindo apaixonada. -Eu estou tão feliz!
_Estou vendo. Me conta! Como foi que isso aconteceu?
_Bem... já faz um tempo que gosto do Dr. Humberto... ele é viúvo também, sabe? Mas eu não sabia se Deus realmente queria isso... Então, eu fiz um propósito! Se fosse mesmo a vontade dEle, o Dr. Humberto iria se converter... e ele se converteu!
_Uau!
_Faz duas semanas, eu acho. Nesta última viagem que fizemos, após um jantar de negócios, ele me disse que estava gostando muito de mim e me pediu em namoro!
_E, então, você aceitou!
_Não... eu disse que ia pensar primeiro. Eu orei muito durante a noite e o Senhor me disse que a hora de sofrer havia acabado e agora estava preparando bençãos pra mim... Eu senti realmente que era a hora de me desprender do meu marido falecido e viver uma nova história... Aí eu aceitei!
_Agora está tudo entrando nos eixos...
_Graças a Deus por isso! -Akira pegou as mãos de Isabel. -Eu quero que Deus te abençoe muito porque foi através de você que conheci as maravilhas do Senhor. Não sei o que seria de mim sem Ele, hoje em dia.
_E eu agradeço a Deus por ter conhecido você e por ter visto tudo o que Ele fez em sua vida...
E as duas se abraçaram.
Durante umas duas horas, Akira e Isabel ficaram conversando sobre o que tinha acontecido durante aquele ano e como Deus havia sido maravilhoso.
_Akira, eu... eu preciso ir agora.
_Espere um minuto, então.
A mulher foi ao escritório (que agora estava com a porta bem aberta) e voltou com um envelope em suas mãos.
_O pagamento pelo seu trabalho...
_Obrigada.
Isabel abriu o envelope e havia um cheque de dois mil reais.
_Mas... isso é quase o triplo do que eu ganho!
_Acho que nem todo o dinheiro desse mundo poderia pagar tudo o que você fez aqui, não só na minha casa, mas em minha vida!
A garota abraçou Akira novamente.
_Obrigada!
As duas foram até o portão.
_Que você seja muito feliz nesta nova etapa da sua vida! -desejou Akira
_Desejo o mesmo pra você!
Akira deu um estalado beijo na bochecha da garota e Isabel foi embora.
"Como é bom ver as maravilhas que o Senhor faz!"
No outro dia, após a prova, Isabel foi a biblioteca devolver os livros que havia pego para estudar.
_Olá, Isabel! -exclamou a bibliotecária. -Foi bem na prova?
_Espero que sim... -murmurou a garota desanimada
Sua cabeça estava tão centrada na mudança que acreditava sua nota não ser tão boa.
_Eu vou pergar esses aqui! -disse uma pessoa colocando os livros no balcão.
Isabel olhou para o lado e sorriu. Era Yuri.
_Só podia te encontrar por aqui mesmo! -exclamou o garoto
_Não posso dizer o mesmo sobre você!
_Por algum motivo, tive uma chance de me recuperar. Se eu passar em algumas provas, talvez não precise fazer o 3º ano pela 3ª vez.
_3ª vez?!
_É... foi vacilo! Poderia estar na faculdade agora...
_Verdade!
_Você vai fazer alguma coisa agora?
_Não...
_Gostaria de me acompanhar no café?
Isabel sorriu. Os dois foram para o refeitório e Yuri pediu um super café da manhã para os dois.l
_Não sei se vou conseguir comer tudo isso! -exclamou Isabel
_Não tem problema. Coma o que quiser, é tudo seu!
_Obrigada. -murmurou a garota acanhada. -Bom... é... como você está? E aquele seu "probleminha"?
_Uns policiais foram em casa ontem.
_E...?
_Por um milagre, porque só pode ter sido por isso mesmo, eles me pediram apenas a descrição dos agressores e, após o retratato falado, me disseram que haviam prendido essas pessoas. Eu fui até a delegacia e os reconheci. Não precisei fazer um depoimento, o que é completamente fora do normal.
_Foi Deus! -disse Isabel convicta
_Sabe... acho que foi mesmo!
O garoto pegou sua mochila, pegou um livro de dentro desta e o colocou em cima da mesa.
_Reconhece isso?
Isabel sorriu. Era sua antiga bíblia, que havia dado a Akira há alguns meses.
_Era minha bíblia... -disse a garota admirada
_Eu a encontrei no escritório da minha mãe e fiquei curioso para ler. É um livro interessante!
_Não é apenas um livro, é a palavra de Deus!
_De alguma forma, toda vez que abro essa bíblia, sinto que fala diretamente comigo. Nunca senti algo assim!
_O que você leu?
_Eu deixei marcado...
Yuri abriu a bíblia e mostrou a Isabel.
_Lucas 18:18... O jovem rico...
_Não entendi muito, mas senti que era pra mim isso!
_Yuri... o que você acha que é preciso para ser feliz?
_Eu... não sei.
_Você tem visto sua mãe? Acha que ela está feliz?
_Sim... está até namorando!
_Ela já te contou?
_Sim.
_E o que você achou?
_Bem... já era a hora dela dar uma chance pra ela mesma. Afinal, meu pai já se foi e... ela merece ser feliz!
_E quanto a você? Não acha que deveria dar uma chance para sua vida?
_E será que eu mereço?
_Yuri... nós oramos muito por você e Deus nos ouviu. Você está aqui! Aquele dia, quando aqueles homens te agrediram, eu fui até onde você estava porque Deus me falou para ir até lá e aqueles homens fugiram, sem motivo algum. Eu não acredito que tudo isso tenha acontecido por acaso...
_Como assim?
_Deus tem algo para sua vida! -as palavras escaparam da boca de Isabel
_E o que isso quer dizer?
_Que Deus tem algo pra te oferecer que é muito maior do que você pode imaginar! Este jovem rico, que você leu aí na bíblia, seguia todos os mandamentos que Deus estabeleceu para os homens, mas algo o impediu de seguir a Jesus de verdade... sua riqueza! Ser rico não é errado, mas o dinheiro ocupava um lugar muito grande em seu coração e, assim, ele não pôde seguir a Jesus porque seu coração já estava "lotado". O que Deus quer de nós é que não nos importemos com as coisas deste mundo, pois quando confiamos nossa vida a Deus, Ele faz tudo por nós. Ele quer que você siga a Ele, Yuri... de todo o seu coração!
_Isso é loucura!
_Você não acredita que Deus está falando com você?
_Não sei... isso está muito confuso!
_Tudo isso que Deus fez por você nesses últimos dias é só o começo daquilo que Ele tem preparado pra você!
_E por que Ele faria isso por mim?
_Porque Ele te ama!
_E como você sabe disso?
_A bíblia diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira...", ou seja, se você está neste mundo, então Ele te ama!
_E onde está escrito isso?
Isabel pegou a bíblia e abriu em João 3:16. O garoto leu este versículo e os outros que se seguiram, até o 21.
_É inacreditável como parece que tudo se refere a mim!
_Você ainda acha que é loucura?
_Eu não sei...
_Yuri... Jesus veio a este mundo para salvar pessoas como você. Ele sabia que muitas pessoas viveriam uma vida de miséria e de horror, mas ele veio para mudar essas vidas, dar uma nova chance... Você pode ter uma nova vida. Basta querer...
O garoto ficou pensativo.
_Como eu faço isso? -murmurou ele confuso
_Você quer deixar Ele fazer parte da sua vida?
Yuri fez que sim com a cabeça.
_Então... feche seus olhos e ore assim comigo...
Yuri fechou os olhos e começou a repetir as palavras de Isa.
_Senhor Jesus, tenho vivido uma vida que não está de acordo com o que queres pra mim. Eu quero ter uma nova vida! Peço-te agora que entres em meu coração e mude a minha história. Quero fazer parte do Teu Reino no céu... perdoa os meus pecados e me aceita como filho. Obrigado,Jesus.
"Jesus isso é maravilhoso!"
_Estou sentindo que fiz a coisa certa mas... o que eu faço agora?
_Procure frequentar uma igreja... Lá você encontrará pessoas que te ajudarão a caminhar com Cristo.
Isabel mal podia acreditar no que havia acontecido...Yuri agora era crente!
_Que bom que pude ver esse milagre antes de ir embora...
_E... quando você vai?
_Amanhã...
_Amanhã?! -espantou-se o garoto. -Tão rápido?
_É...
_Então, você nem vai participar da formatura, não é?
_Eu nem ia mesmo. Quando começaram a arrecadar o dinheiro, minha família estava passando por dificuldades e não dava pra pagar. Acho que não era mesmo pra eu participar...
Yuri parecia pensativo.
_Eu preciso ir agora! -exclamou ele de repente
_Tá.
Yuri guardou a bíblia em sua mochila.
_Vou ler constantemente agora!
_E pode ter certeza que vai mudar a sua vida! -disse Isabel sorrindo
Yuri deu um sorriso e foi em embora. Alguns minutos depois, Isabel também retirou-se.
_Eu não queria ter que ir embora justo agora! -resmungou Isabel, após contar o que havia acontecido para a mãe.
_Isabel, não quero mais ouvir isso! -exclamou Elisa enquanto lacrava uma caixa
_Mas é que... quanto tempo não esperamos pra que isso acontecesse? É maravilhoso!
_Eu entendo, Isa! Mas... as coisas tem que ser assim!
_Isso é injusto!
O telefone da casa toca.
_Atende lá porque eu estou ocupada!
Isabel correu até a sala.
_Alô?
_Isabel?
_Sim...
_É a Akira!
_Oi... Algum problema?
_Não, não... Eu só liguei pra te fazer um convite!
_Hum... que seria... ?
_Gostaria que você fosse jantar com a g... é... comigo! Comigo... hoje a noite no... no restaurante Merveille.
_Merveille?! -surpreendeu-se a garota
_Isso! Você aceita?
_Sim...
_Esteja pronta as 7, então!
_Ok.
Isabel estranhou tudo aquilo, mas estava feliz. Ainda mais porque estaria no melhor e mais luxuoso restaurante da cidade.
_Quem era? -perguntou Elisa
_A Akira. Ela me convidou para jantar no Merveille.
_Uau!
_Espere! Meus vestidos estão todos empacotados!
Elisa olhou para as caixas ao seu redor.
_E eu nem tenho idéia de qual caixa estão os vestidos...
_E agora? Eu não posso vestir qualquer coisa, mãe!
A campainha toca.
_Pode ir!
Isabel foi até o portão, onde estava uma loirinha, baixinha, que Isabel conhecia muito bem.
_Juli!
_Não sei se devo deixar que você me chame assim! -resmungou a garota, enquanto Isabel abria o portão
_Por que? O que eu fiz agora?
_O que você fez? Você ainda me pergunta o que você fez?!
_Juli... você está me assustando.
As duas entraram e sentaram-se no sofá da sala.
_Eu simplesmente estava na minha busca diária, por um emprego decente; o que realmente tem se tornado uma tarefa mais difícil do que eu imaginava; quando encontrei a Carina. Então, ela me contou que estava ajudando vocês a empacotarem as coisas porque vocês vão se mudar... AMANHÃ!
Isabel sorriu aliviada.
_Como você se esquece de me avisar uma coisa dessas, Isabel Marques?!
_Me desculpe, Ju... Mas aconteceram tantas coisas...
_Espero que sejam suficientemente importantes pra você se esquecer assim de mim!
Isabel contou a amiga sobre o namoro de Akira e sobre a "decisão" de Yuri.
_Eu não acredito! O Yuri é crente agora?
_Pois é...
_Que maravilha, Isa!
_Está vendo só? Não foi por coisinhas banais que eu esqueci de te avisar...
_Tudo bem. Eu te perdôo.
_E eu estou com mais um probleminha agora...
_O que aconteceu?
_A Akira me convidou pra jantar no Merveille hoje e...
_Merveille?!
_É mas... todos os meus vestidos estão em caixas lacradas...
_Eu poderia te emprestar um...
_É! -exclamou Isabel aprovando a idéia
_Não!
_Não?! Por que não?
_Porque os meus vestidos já estão velhos e você deve usar uma coisa nova hoje... uma coisa especial!
_Hum... vamos ao shopping comigo, então?
_Tá. Posso procurar emprego amanhã! Já cansei por hoje!
Isabel avisou a sua mãe sobre sua saída e as duas amigas foram ao shopping, que não era tão longe dali.
As duas visitaram várias lojas e Isabel experimentou vários vestidos.
_Ah... eu estou quase desistindo. Parece que não tem nada aqui que combine comigo!
_Esse shopping está decaindo... -murmurou Juliana
A garota estava falando e parou de repente.
_O que foi, Juli?
_Veja só! -disse ela apontando para uma loja de roupas para grávidas e bebês. -Vamos até lá, só pra dar uma olhadinha?
Isabel sorriu.
_Tudo bem.
As duas foram até a loja e exploraram cada acessório. Os olhos de Juliana brilhavam ao ver cada roupinha, cada sapatinho...
"É tão bom ver que agora ela quer esse bebê..."
_Olha só, Isa... -murmurou a garota mostrando um macacãozinho rosa. -Se for menina, isso aqui ficaria lindo, você não acha?
_Sim... muito lindo!
_Vocês querem ajuda? -perguntou uma senhora, de aparentemente uns 60 anos, se aproximando
_Não... estamos só olhando! -disse Juliana se aproximando mais de Isabel. -Nunca pensei que diria isso na minha vida!
_Sabe, eu vou comprar isso pra você! Aliás, pro meu sobrinho...
_Mas... a gente nem sabe se é menina!
_Mas eu quero dar um presente! Será o primeiro, não?
_É.
As duas foram até o balcão e Isabel entregou àquela senhora um cartão de crédito.
_Obrigada, Isa.
_Eu faço com prazer!
Foi então que Isabel notou, ao lado do caixa, uma plaquinha que dizia : "Procura-se vendedora".
_Juliana! -exclamou a garota. -Veja!
Juliana olhou, mas não mostrou-se entusiasmada.
_Isa... é quase impossível eu conseguir!
_Mas você nem tentou! Você poderia se dar bem trabalhando aqui!
_Você está procurando emprego? -perguntou a senhora
_Estou... -disse Juliana envergonhada. -Mas... eu nem tenho experiência como vendedora.
_Como vendedora, eu não sei, mas com o propósito de fazer alguém comprar alguma coisa... Ah, nisso você é craque!
_Do que você está falando, Isa?
_Quantas vezes eu já não comprei alguma coisa, que eu nem precisava, porque você me persuadia de um jeito que... eu acabava levando!
_Você acha que eu sou boa nisso, então?
_Você poderia tentar... -disse a senhora. -Eu preciso muito de alguém por aqui! A menina que trabalhava comigo teve de se mudar e... bom, você gostaria de trabalhar aqui?
Juliana surpreendeu-se. Não havia procurado, mas acabava de encontrar um emprego.
_Sim! -exclamou ela. -Eu preciso muito! Quando posso começar?
_Se você quiser... agora mesmo!
Juliana olhou para Isabel preocupada. As duas ainda não haviam escolhido um vestido.
_Não se preocupe, Juli. Isso é mais importante que um vestido!
Juliana abraçou a amiga.
_Obrigada, Isa!
Isabel saiu daquela loja e, na loja a frente daquela, uma mulher acabava de vestir o manequim com um vestido que chamou a atenção de Isabel. Sem hesitar, Isabel foi até a loja e pediu para experimentar aquele vestido. Serviu perfeitamente.
O vestido era lilás e em degradê. Havia um bojo de cor escura e pedrinhas brilhantes separavam este bojo do resto do vestido, que era mais claro e todo plissado verticalmente.
Às 7 horas, Isabel estava pronta.
_Está linda! -exclamou a mãe da garota orgulhosa
_Mãe... você é suspeita pra me falar isso!
_Só estou dizendo a verdade.
A campainha toca.
_Acho que é a Akira. Estou bem mesmo?
_Você disse que a minha opinião não conta, então...
Isabel sorriu. Deu um beijo em sua mãe e saiu correndo para atender ao chamado. Quando abriu a porta, teve a surpresa. Não era Akira que a esperava, mas Yuri. Isabel andava lentamente em direção ao portão, enquanto Yuri estava encostado no carro, observando, completamente encantado. Ele estava vestido com um terno preto de risca de giz, deixando- o mais charmoso do que já costumava ser. A admiração era recíproca.
_Oi... -murmurou Isabel
Yuri sorriu e tirando o braço de trás de suas costas, mostrou-lhe uma rosa branca.
_É pra você.
Isabel pegou a rosa, completamente boba pelo que estava acontecendo. Yuri abriu a porta do passageiro e a garota entrou no carro.
_Eu pensei que a Akira viria me buscar...
_Ela foi com o Dr. Humberto! -explicou o garoto
_Ah...
E até chegarem ao restaurante, essas foram as únicas palavras pronunciadas até então.
_Esse lugar é um sonho! -exclamou Isabel, passando o braço em volta do braço que Yuri oferecia.
_Isso porque você ainda não viu nada.
Os dois entraram no restaurante e Yuri a conduziu para a mesa em que se encontravam Akira e Humberto.
_Ah... até que enfim chegaram! -exclamou o homem que estava ao lado de Akira
Era alto, moreno e parecia estar na faixa dos quarenta, mas muito "bem conservado".
_Muito prazer! -disse ele estendendo a mão para Isabel. -Ouvi falar muito de você!
_Espero que bem... -disse a garota
_Muito bem! -acrescentou o homem
Yuri afastou a cadeira para Isabel se sentar e a tratou como um completo cavalheiro faria, durante toda aquela noite.
_Está gostando, Isa? -perguntou Akira, depois de servirem a sobremesa
_Sim... Este lugar é lindo, a comida é maravilhosa... Nem sei como te agradecer!
Akira olhou para Yuri e sorriu.
_Na verdade... esse jantar não foi idéia minha!
Isabel sentiu seu estômago queimar.
"Senhor... se isso for um sonho, eu não quero mais acordar!"
No restaurante, havia um espaço para os casais dançarem, ao som da música que era feita ao vivo.
_Essa música é linda! -comentou Akira
_Você quer dançar? -perguntou Humberto
_Claro.
Os dois se levantaram e se afastaram da mesa. Isabel começou a sentir suas mãos suarem. Só estavam ela e ELE naquela mesa. O nervoso invadiu todo o seu corpo.
_Você realmente gostou de tudo isso? -perguntou Yuri
_Sim. -respondeu ela rapidamente, sem olhar para o garoto
_Você... você não gostaria de dançar comigo?
Isabel olhou rapidamente para Yuri.
_Eu... eu acho que não sei dançar.
_Você acha? Ou você sabe ou não sabe.
Isabel sorriu. Dançar uma música lenta era fácil, quando seu corpo todo não estava tremendo descontroladamente.
_Tudo bem. -disse a garota hesitante
"Isso não vai dar certo!"
Yuri se levantou e estendeu sua mão para Isa. Então, conduziu-a para o lugar reservado as danças. No momento em que o abraçou, Isabel começou a se acalmar. Sentia-se tão segura ali, tão perto dele. Foi um momento mágico. Seus pensamentos foram longe, até que uma chuva de aplausos a despertou para o mundo real. A música havia acabado.
Os dois se afastaram para aplaudir, quando Isabel virou-se para olhar os cantores, viu um garçom vindo em sua direção. Em sua mente veio a lembrança de uma certa festa, em que tudo havia dado errado. O garçom parecia vir em sua direção, como que para atacá-la, iria despejar todo o conteúdo em seu vestido novamente...
_Isabel! -exclamou Yuri se posicionando na frente da garota. -Você está bem?
Isabel olhou para os lados. Não havia garçom. Era sua imaginação que a fazia parecer uma idiota na frente de uma pessoa tão especial.
_Não é nada... eu só... é... nada!
_Você não gostaria de tomar um ar? Você está pálida!
_Está bem...
Yuri estendeu seu braço para Isabel e, então, conduziu-a para fora do restaurante.
_Você parecia assustada lá dentro!
_Eu estava lembrando de uma coisa que aconteceu... nem sei porque fui lembrar disso agora! Estava tudo tão perfeito...
_Ainda está perfeito, Isabel! Esqueça de tudo agora... Pense apenas no que você está vivendo neste momento.
Isabel sorriu.
"Se pudesse, viveria esse momento pra sempre!"
A garota olhou para o céu, que estava mais lindo que nunca. Negro, todo pontilhado de estrelas.
_Acho que não vejo um céu assim há tempos... É lindo...
_Realmente... -murmurou Yuri
Isabel continuou olhando para o céu por mais alguns instantes, mas teve a sensação de estar sendo observada. Ao olhar para o lado, Yuri a admirava, como um artista admira sua obra prima após terminá-la.
_Você está linda esta noite. -disse ele finalmente
_Obr... brigada! gaguejou ela
_Ah... vocês estavam aí! -exclamou Akira, saindo do restaurante com Humberto. -Nós já vamos, tá?
_Que horas são? -perguntou Isael
_11:30.
_Puxa! -exclamou a garota admirada
_Você... quer ir embora? -perguntou Yuri
_Querer eu não quero, mas... tenho!
_Bom, Isabel, -disse Akira. - agora a despedida é pra valer mesmo!
A mulher abraçou Isabel.
_Espero que o Senhor te abençoe, cada dia mais, infinitamente... porque você merece!
_Obrigada!
Humberto cumprimentou-a e os dois saíram. Isabel e Yuri entraram no restaurante, para Isabel pegar sua bolsa e, então, foram para casa da garota.
_Não pensei que isso fosse tão difícil! -disse Yuri ao estacionar o carro em frente a casa de Isabel.
_Isso o que?
_Me despedir de você. Há alguns meses atrás, tudo o que eu queria era que você fosse embora da minha casa, hoje eu não quero que você saia da minha vida...
Isabel arregalou os olhos, espantada.
_Eu só espero que você seja muito feliz mesmo...
_Obrigada!
Yuri desceu do carro e abriu a porta para Isabel sair também.
_Espero que você tenha gostado de tudo...
_Eu adorei!
Yuri estava parado bem a frente de Isabel. Seus olhos estavam fixos nos olhos de Isabel, que teimavam em olhar para tudo, menos para Yuri.
_Essa foi a melhor noite da minha vida, porque estive com alguém que realmente fez a diferença em minha vida!
Isabel, finalmente, olhou para o garoto e sorriu. Yuri, então, se aproximou ainda mais da garota. Isabel sabia o que estava prestes a acontecer, mas não tinha certeza de que queria que aquilo acontecesse.
"E se eu não souber? Ah, meu Deus! Ele está vindo..."
O coração batia tão forte que Isabel acreditava que a vizinhança toda poderia escutá-lo. Yuri aproximou-se ainda mais, até que os lábios se encostaram um no outro, dando-lhe um beijo leve. Depois, beijou-a com mais intensidade, fazendo com que a garota sentisse se desfalecendo... Era o momento esperado por tanto tempo e, era perfeito!
_Não esqueça de mim lá em São Paulo, viu?
_Não se preocupe!
Yuri sorriu um pouco triste e entrou no carro.
"Depois dessa, impossível esquecer cada detalhe do teu ser!"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Capítulo 25

Logo que chegaram a casa de Isabel, a garota correu para dar uma ajeitada no ex quarto da avó. Em alguns minutos, Yuri estava instalado em seu quarto provisório. A família toda se empenhou para ajudar Yuri, mas, claro, Isabel cuidava do garoto mais que todos. Yuri até dissera que ficaria mal acostumado com tanta "mordomia" e Isabel não media esforços para que o garoto se sentisse o mais confortável possível em sua casa.
Dois dias de cuidado se passaram, chegou o sábado.
Isabel estava na cozinha, estudando e fazendo alguns exercícios, quando foi surpreendida pelo garoto.
_Bom dia! -exclamou ele
_Yuri?! -gritou a garota, numa mistura de susto e espanto. - O que você está fazendo aqui e... em pé?
Isabel se levantou e foi empurrando Yuri de leve.
_Você tem que descansar!
_Mas eu tô ótimo! Você não está vendo?
Isabel o encarou por alguns segundos e desviou o olhar.
_Bom... se você diz! Você quer alguma coisa? A gente já tomou café...
_Eu não sei... O que temos hoje?
_Minha mãe fez um bolo de cenoura que está uma delícia!
_Ah... com certeza eu quero! -disse Yuri se sentando a mesa. -O que é isso?
A mesa da cozinha estava repleta de livros e materias escolares.
_Livros! -respondeu a garota trazendo alguns pedaços de bolo para Yuri
_Você gosta mesmo de estudar, hein?
_Eu não posso me sair mal nessas últimas provas e... tenho que estudar pro vestibular.
_Vestibular?! Que legal! Você vai prestar pra que curso?
_Esse é o problema. Eu ainda não sei.
_Podia tentar ser enfermeira... -disse o garoto com ternura
Isabel sorriu envergonhada.
_Acho que não sirvo pra isso não. Pra ser enfermeira, a gente precisa gostar muito das pessoas! Não que eu não goste de pessoas, mas não sei se trataria a todos do mesmo jeito, sabe?
_Então... o que pretende?
_Não consigo decidir...
_O que tem em mente?
_Nada. Todos os cursos me deixam confusa!
_Bom... você já pode eliminar enfermagem. Isso você já sabe que não vai fazer.
_É... verdade.
_Você poderia eliminar outras que você também sabe que não fará. Eu posso te ajudar! Onde está a lista dos cursos?
Isabel procurou embaixo de seus livros e entregou um panfleto universitário a Yuri.
_São todos esses aí!
Yuri olhou a capa do panfleto admirado.
_Essa universidade fica em São Paulo!
_É. -disse Isabel com naturalidade.
_Você vai estudar em São Paulo! -disse o garoto enfatizando o problema. -Nenhuma faculdade daqui te agradou?
_Na verdade... foi escolha dos meus pais. E... devido as circunstâncias também...
_Que circunstâncias? -perguntou Yuri com interesse
_A empresa do meu pai o transferiu pra São Paulo e... nós vamos morar lá.
_O que?! -surpreendeu-se ele
_Meus pais estão em São Paulo agora, vendo a casa que provavelmente será nossa.
_Você vai se mudar... -murmurou Yuri, parecendo inconformado
_É... vou.
_Puxa! -disse o garoto dando um suspiro. -Que pena... quer dizer, é bom pra você, não é? Lá podem surgir mais oportunidades, mas... você estará longe.
Isabel sentiu um frio no estômago. Tinha mesmo escutado aquilo? Era Yuri mesmo a pessoa que estava a sua frente ou seria um sonho, uma alucinação? Todos os pensamentos de Isabel foram interrompidos pelo toque do telefone.
_Eu... eu vou atender! -gaguejou ela se levantando
_Alô, Isabel?
_Sim...
_É a Akira...
_Akira! -exclamou a garota contente.
Ao ouvir o grito, Yuri correu para a sala, ansioso para falar com a mãe.
_O que aconteceu com você? Te liguei várias vezes!
_Eu fui viajar e esqueci o celular em casa. Cheguei agorinha e vi que você ligou inúmeras vezes...
_Sim! Eu tenho uma ótima notícia pra você que você não vai acreditar!
_Eu também tenho uma que...
_Não, Akira! Depois você fala! O que eu tenho é... inacreditável!
_Nossa! Me fale, então!
_Não... melhor você ouvir...
Isabel entregou o telefone para Yuri e sorriu.
_Ma... mãe?
Akira emudeceu.
_Mãe? Você está aí? -perguntou o garoto preocupado. -Está me escutando?
_Yuri... -murmurou a mulher. -Ah, meu Deus! Tu és maravilhoso mesmo!
Yuri olhou para Isabel e sorriu.
_Como você está, meu filho? Você está bem?
_Estou ótimo, mãe...
_Eu não acredito! Eu... eu fiquei tão preocupada com você! Filho... eu te amo muito e...
_Eu também te amo, mãe!
Akira emudeceu novamente, mas desta vez, foi para desabar em lágrimas.
_Me desculpe por tudo o que eu fiz você sofrer... prometo que não será mais assim!
_Eu... eu fico muito feliz por isso! Nossa... ainda não estou acreditando... Eu preciso te ver! Eu posso te buscar?
_Pode... eu estou com muitas saudades de você!
_Então... eu vou agora!
_Sim...
_Não saia daí, heim?
_Não vou fugir mais! Pode ficar tranquila...
_Então... me espere aí! Beijos.
Akira desligou o telefone e Yuri entregou o que segurava a Isabel.
_Ela está vindo pra cá...
_Foi o que eu pensei que ela faria.
_Eu estou me sentindo tão bem.
_Que bom!
_Vou arrumar minhas coisas!
_Quer ajuda?
_Não... está tudo bem. -disse Yuri indo para o quarto.
Isabel voltou para a cozinha, para estudar, mas não conseguia. Todos aqueles acontecimentos eram o suficiente para tirar sua concentração.
_Estou pronto. -disse Yuri entrando na cozinha, segurando uma pequena mala
_É... chegou a hora. Como eu fico feliz por vocês...
_Eu também. Estou ansioso pra ver minha mãe... Depois de tanto tempo...
_E... você vai contar à ela?
Yuri olhou para os braços.
_Eu ainda estou com alguns curativos e o meu rosto não está tão lindo como deveria!
Isabel sorriu.
"E nem precisa! Eu te amo mesmo assim!"
_Só não sei como falar...
_Apenas diga a verdade.
_É.. chega de mentiras na minha vida!
A campainha da casa toca.
_Já?! -exclamou Isabel se levantando. -Será a Akira mesmo?
A garota correu para atender ao chamado.
_Isabel! -exclamou Akira lançando os braços ao pescoço de Isabel
Akira tinha os olhos vermelhos e estava prestes a se debulhar em lágrimas.
_Vem comigo... -murmurou Isabel conduzindo a patroa para dentro de sua casa.
Yuri estava parado, no meio da sala. Ao ver sua mãe, abriu um lindo sorriso.
_Meu filho! -exclamou Akira correndo ao encontro de Yuri
O garoto abriu os braços e recebeu a mãe. Era um momento lindo, esperado por todos que, naquele momento, estavam completamente comovidos. A alegria que contagiou aquele lugar só poderia ser entendida nas sensações que cada um desfrutou naquele instante.
_Como eu esperei por esse momento! -disse Akira dando um beijo no filho. -Espere! O que é isso?
Akira reparou em alguns cortes no rosto de Yuri e os olhos, levemente roxos.
_A gente tem muita coisa pra conversar ainda...
_Tudo bem. Não me importa! Tudo o que eu queria já está aqui... comigo!
_Graças a Isabel!
Akira virou-se para a garota.
_Você tem sido um anjo em minha vida! Eu nem sei como te agradecer...
_Agradeça a Deus! Foi Ele quem fez tudo isso se tornar real hoje!
_Vale a pena perseverar... -murmurou Akira enxugando as lágrimas. -Ainda que tudo parecesse estar acabado, valeu a pena confiar num Deus que tudo pode!
Yuri meneou a cabeça, incrédulo.
_A hora dele vai chegar... -murmurou Isabel para Akira
_Não duvido! Vamos, meu filho?
_Sim... -disse ele olhando para Isabel. -Eu... só queria te dizer obrigado! Não tenho palavras...
_Não precisa dizer nada. Eu posso entender...
Os dois se entreolharam e pareciam estar numa bolha flutuante, que os separava do mundo real.
_Eu acho que eu perdi muita coisa essa semana! -disse Akira sorrindo
Os dois desviaram o olhar, acanhados.
_Bom... vamos! -exclamou Yuri saindo
_Vai entrando no carro, que eu já vou!
Akira aproximou-se de Isabel.
_Isa... preciso muito te contar uma coisa que está acontecendo... E agora que o Yuri voltou, então...
_O que aconteceu? -perguntou a garota preocupada
_Não é nada sério... É só que... Eu... estou namorando!
_O que?! -exclamou Isabel espantada. -Com quem?
_Dr. Humberto...
_Seu patrão?!
_É... -murmurou Akira sorrindo. -Calma... não pense nada ruim de mim!
_Não estou pensando nada, é só que... é estranho!
_Eu sei... Preciso te explicar muita coisa ainda... Você ainda vai trabalhar na segunda?
_Claro que vou, Akira!
_Certo. A gente conversa sobre tudo na segunda, então.
Akira deu um demorado beijo na bochecha da garota e foi para o carro.
"Que momento lindo... Perfeito!"
Isabel voltou aos seus estudos, que só foi interrompido a tardinha, quando seus pais chegaram de São Paulo.
_Isa... você precisava ver a casa. É linda! -exclamou Elisa
_Desta vez é sua mãe quem está falando.
_Ela é mais bonita ainda que a nossa antiga casa... Nem se compara!
_Que bom. -disse Isabel, voltando-se para os livros
_E o Yuri? -perguntou João olhando em direção ao quarto. -Está dormindo?
_Não... ele já foi pra casa.
_Pra casa?! -espantou-se Elisa
_A Akira veio buscá-lo.
_E como foi? -perguntou Elisa interessada
_Foi lindo! A Akira esperou tanto por isso...
_Eu posso imaginar... -murmurou a mãe de Isa sorrindo
_Agora... vamos ao que interessa! -disse João
_O que? -perguntou a garota
_Nós... já fechamos negócio com a casa. -anunciou o pai
_Mas... já?!
_A gente já pode se mudar pra lá!
Isabel sentiu seu mundo desabar.
_Mudar? Agora?
_Não... filha! -disse Elisa sorrindo. -Semana que vem. Temos que arrumar tudo ainda!
_Nós temos mesmo que sair daqui?
_Isa... não vai começar tudo de novo!
_Não... tudo bem!
Isabel arrumou seu material e os levou para seu quarto.
"Senhor, ajuda-me a entender o que queres pra nós! Essa mudança será pior que a outra..."

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Capítulo 24

9 horas da manhã. Yuri voltou a dormir e Isabel aproveitou para ir comer alguma coisa na lanchonete. Como estava feliz em vê-lo bem... Como era bom ver que estava arrependido por tudo e que agora estava realmente se tornando uma nova pessoa.
"Senhor... muito obrigada!" -dizia Isa em seu coração, enquanto lágrimas rolavam em seu rosto. "As Tuas misericórdias, Senhor, realmente não têm fim! Como foste misericordioso com o Yuri... Te agradeço, Senhor! Te agradeço..."
_Isa? Está tudo bem?
_Mãe?! Tá fazendo o que aqui?
_Ver como você e o Yuri estão... -disse Elisa sentando-se numa das cadeiras. -Mas parece que...
_Não. Ele está bem! -disse Isabel sorrindo e enxugando as lágrimas. - Ele até já acordou... já conversamos... Eu estava chorando de alegria. Sabe, Deus é tão bom, mãe!
_Sim... muito!
_O Yuri está mudando, está arrependido.
_Ah... está tomando jeito agora?
_Parece... -disse a garota sorrindo. -Ele se arrepende pelo que fez comigo e está com saudades da Akira...
_Hum... isso é bom!
_É ótimo! Pena que não consigo falar com a Akira... Ela não ligou?
_Não. Nem sombra dela.
_Estou começando a ficar preocupada. Será que aconteceu alguma coisa com ela, mãe?
_Bom.. isso eu não sei. Mas deixa que Deus está cuidando dela. Acredito que Ele não deixaria que acontecesse alguma coisa sem que antes ela visse o filho...
_É... verdade.
_O Yuri está dormindo?
_Sim... Por isso aproveitei pra comer alguma coisa.
_Bom... eu preciso ir pro Buffet. Apesar de a Carina estar tomando conta de tudo sozinha, preciso ajudá-la... Sábado vamos a São Paulo ver a casa e o salão do novo Buffet!
_Sábado?
_Sim. Você vai fazer alguma coisa no sábado?
_Não. É que eu ainda não me acostumei com a idéia de que nós vamos nos mudar. Eu nasci aqui, mãe... cresci aqui! É tão estranho ter que mudar de cidade...
_Logo você se acostuma. E não acho que será tão ruim assim...
_Por que?
_Seu pai encontrou uma casa bem pertinho da casa da tia Branca...
_Sério?
_Aham. Lembra que você e a Aline queriam morar juntas quando eram pequenas?
_Sim... nós queríamos ser irmãs! Mas agora é outra época, mãe... Não que eu não goste da Aline, você sabe que somos como unha e carne, mas... Sair daqui...
_Isa... você não queria sair da velha casa e tanta coisa aconteceu quando viemos pra essa. A gente nunca sabe o que Deus tem reservado pra nós...
_Não havia pensado nisso.
_Então... comece a pensar! Logo, logo estaremos de mudança!
Isabel sorriu, mas não estava tão animada em relação a mudança.
_Agora... -disse Elisa se levantando. -Preciso mesmo ir!
_Espere!
_O que foi?
_Nós temos um problema...
_Que tipo de problema?
_Yuri.
_Você não disse que ele estava bem?
_Sim, está. E esse é o problema. O médico disse que ele provavelmente teria alta hoje, ou seja... ele vai pra casa. Mas ele não pode ir pra casa dele porque não tem ninguém lá...
_Você está sugerindo... ?
_Ele poderia ficar no quarto que era da vovó!
_Isabel!
_É só até a Akira voltar... Ele precisa de cuidados, mãe!
_É exatamente por isso!
_Eu vou cuidar dele...
_Mas não é tão fácil quanto você imagina, Isa.
_Eu vou tentar. Por favor, mãe!
Elisa colocou uma mão na cintura e encarou a filha.
_Eu vou falar com o seu pai.
_Obrigada! -exclamou Isabel abraçando a mãe.
_Mas isso não é garantia de nada!
_Tudo bem...
_Eu volto a tarde, então.
_Ok.
Elisa deu um beijo na filha e foi embora.
"Senhor, está em Tuas mãos."
Isabel estava voltando para o quarto, quando viu alguns policiais no corredor. Provavelmente estavam ali para pegar algumas informações de Yuri sobre os agressores.
_Oi! -exclamou Isabel entrando no quarto, percebendo que Yuri estava acordado.
O garoto estava numa posição "mais sentando que deitado" e havia uma bandeja, com um suporte embaixo, que continha seu café da manhã.
_Que bom que está comendo...
_Depois desse café, eu definitivamente quero voltar pra casa! -exclamou Yuri
_Mas você nem experimentou tudo!
_Meu paladar não suportaria!
Isabel aproximou-se.
_Olha só... tem gelatina! Eu pensei que só davam isso nos filmes!
_Eu não gosto de gelatina...
_Sério?
_Olha só pra isso! Se mexe sozinho... Isso tem praticamente vida própria! Você não pode comer uma coisa que pode sair andando por aí.
Isabel sorriu.
_Você é esquisito!
_Se você gosta de gelatina, você sim é esquisita!
_Você não vai comer mais, então?
_Não, não...
_Posso tirar a bandeja?
_Sim, obrigado.
Enquanto Isabel tirava a bandeja e a colocava numa mesinha ao lado da cama, alguns policiais entraram no quarto.
_Bom dia. Aqui é o quarto do Yuri?
_Sim. -respondeu Isabel
No mesmo instante, Yuri começou a ter um ataque. Parecia ser um ataque de asma.
_Yuri?!
Parecia piorar cada vez mais. Isabel abriu espaço entre os policiais e, desesperada, chamou uma enfermeira.
_Saiam! -exclamou a enfermeira aos policiais. -Ele precisa de espaço!
Os policiais saíram do quarto.
_Preciso que você saia também. -disse a enfermeira para Isabel
_Mas eu...
_Por favor! -disse a enfermeira apontando para a porta
Isabel acompanhou os policias.
_Acho melhor voltarmos amanhã. -disse um policial
Os outros concordaram e foram embora. Então, a enfermeira saiu.
_Como ele está? -perguntou Isabel desesperada.
_Bem. Aparentemente, ele não tinha nada.
_Como nada? Ele estava mal...
_Mas agora ele está ótimo! -disse a mulher impaciente. -Com licença, tenho coisas realmente importantes pra fazer!
_Mas...
A garota estava confusa. Como poderia estar mal num instante e depois não ter nada?
_Você está bem? -perguntou Isabel se aproximando.
_Sim... -murmurou o garoto sem encará-la.
_Eu fiquei preocupada.
_Nâo foi nada.
_Os policiais foram embora. -disse Isabel com tristeza.
Yuri soltou um suspiro de alívio.
_Ei. O que foi isso?
_Isso o que?
_Ah.. aquela cena toda foi por causa dos policiais. Eu não acredito que você fez isso!
_E o que você queria que eu fizesse? Eles iam me prender!
_Yuri... eles não podem te prender! Você está numa cama de hospital. E, eles não vieram checar o seu passado, vieram coletar informações sobre os agressores.
_E você acha que os meus agressores não têm nada a ver com o meu passado?
_Bem...
_E você acha que eles não vão encontrar meus antecedentes quando souberem mais de mim?
_Antecedentes?
Yuri ficou calado por uns instantes.
_Você sabe que eu não andava por aí fazendo boas ações... -murmurou o garoto. -Eu... eu fiz muitas coisas erradas, que você nem tem noção!
Isabel prestava atenção no garoto, mas não conseguia dizer nada.
_Eu fazia parte de uma gangue. Nós fazíamos tudo o que "dava na telha"! Nós roubamos, nós agredimos pessoas inocentes...
Isabel estava chocada.
_Mas... eu não matei ninguém, não! -disparou Yuri, percebendo a fisionomia da garota. -Bom... não eu.
_Eu... não sabia...
_Mas já deve ter imaginado. Quando se está drogado, você faz coisas...
_Por que aqueles homens te bateram?
_A Renata me denunciou pra eles.
_Como assim?
_Quando eu fugi de casa, fui pra casa da Renata.
_Ah!
_No começo era muito bom, mas ela não era tão legal como parecia. E então, há algumas semanas, nós brigamos. Eu queria voltar pra casa, mas... eu não conseguia. Não tive coragem. Então, eu fui pra casa de um amigo. A Renata descobriu que eu estava lá e ficou com raiva. Então, inventou uma história para os outros caras da gangue e eles vieram atrás de mim. Me pegaram e me colocaram no carro. Quem estava dirigindo era a Renata.
Isabel deu um suspiro. Como Renata foi capaz de fazer uma coisa dessas com Yuri?
"Bem que eu nunca gostei dessa garota!"
_O resto da história, acho que você já sabe.
_Uau.
_Como eu vou contar isso aos policiais sem que eles me indiciem por alguma coisa?
_É... só por Deus.
_Deus? Você acredita mesmo?
_Se não fosse por Ele, você não estaria aqui.
_O que você quer dizer?
_Quando eu vi você sendo agredido, bom... não sabia que era você. Eu ia fugir, mas Deus me fez ir até lá.
_Ah... fala sério.
_É sério, Yuri! Aqueles homens fugiram! Não havia ninguém mais comigo e eles me viram e fugiram. Foi Deus!
_Se você diz... -murmurou o garoto incrédulo.
_Olá! -disse o médico entrando no quarto. -Vejo que está bem hoje.
_Sim... já posso ir pra casa?
_Vamos descobrir isso agora! Você pode nos dar licença um momento?
_Claro. -disse Isabel saindo.
Alguns minutos depois o médico saiu.
_Ele já pode sair daqui a pouco. Só vamos trocar os curativos e ele está pronto pra ir pra casa.
_Que ótimo!
_Mas ele vai precisar de uma cadeira de rodas. Ele não pode forçar nada por alguns dias. Ele vai precisar de bastante cuidado.
_Tudo bem...
_Pelo visto, você será a enfermeira particular!
Isabel sorriu.
_Melhor você ir ver como a enfermeira faz os curativos nele, então.
A garota entrou no quarto e observou atentamente o trabalho da enfermeira.
_Prontinho! -disse ela. -Agora pode sair desse lugar!
_Não sem antes trocar de roupa!- exclamou Yuri
_Você não tem roupas aqui! -disse a enfermeira.
Yuri olhou com desespero para Isabel.
_Eu... eu vou ligar pra minha mãe! -anunciou Isabel saindo
A garota estava ansiosa. Será que o pai havia deixado que Yuri ficasse em sua casa?
_Alô, mãe? O Yuri já está de alta.
_Mas, já?
_Sim. Você já pode vir?
_Eu preciso ligar pro seu pai. Ele disse que ia buscar vocês!
_Então, ele deixou!
_Um pouco relutante, mas deixou.
_Que bom... Mãe, temos mais um problema! Aliás, dois!
_O que aconteceu agora?
_Precisamos de roupas pro Yuri...
_Roupas? Bom, isso não é difícil.
_E... uma cadeira de rodas!
_Aonde vamos encontrar uma cadeira de rodas, Isabel?
_Eu não sei. O Yuri não pode fazer esforço.
_Está bem... vou me virar por aqui!
_Obrigada, mãe!
_O que eu não faço por você, hein?
_Deus lhe pague! -exclamou a garota
_É... só Ele mesmo!
Isabel voltou para o quarto.
_Minha mãe vai trazer o que você precisa!
_Isabel... como é que... eu vou pra casa? Eu ainda não consigo me virar sozinho... e minha mãe não está lá...
_Mas você não vai pra sua casa. Você vai ficar na minha!
Yuri surpreendeu-se.
_Sua casa?!
_Bom... não é igual a sua, mas acho que dá pra aguentar.
_Eu não acredito que você está fazendo isso por mim! Eu me sinto até sem jeito... Você é uma pessoa realmente especial.
Isabel sorriu e desviou o olhar. Aquilo sim a deixava sem jeito.