sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Capítulo 34

Mais uma noite de insônia. Ao olhar-se no espelho, naquela manhã nublada, Isabel percebeu as enormes olheiras abaixo de seus olhos.

"Acho que posso participar de um filme de terror hoje!"

O café da manhã, apesar de ter sido muito bem preparado por Rose, estava sem gosto na boca da garota. Pior, então, foi o silêncio insuportável enquanto tia Branca dirigia o carro em direção a faculdade. Aline ficou o caminho todo, olhando pela janela, mostrando-se ocupada demais para conversar com a prima. Isabel também não estava se sentindo tão disposta a conversar.

O acontecimento da noite anterior fora muito estranho. Nunca Aline e Isabel haviam brigado por um motivo como aquele. Até a noite anterior, Isa estava completamente convicta de que não sentia nada por Luciano, mas depois de saber sobre o almoço que ele e Aline tiveram, algo despertou em seu ser. Seria ciúmes?

_Tenham uma boa aula! -disse Natália, pela segunda manhã consecutiva.

_Você também! -Isabel disse forçando um sorriso. -Ela realmente está simpática!

Aline olhou para a prima pelo canto dos olhos.

_Vou para a minha sala. -anunciou a prima secamente.

_Aline... a gente não pode ficar assim. -Isabel não tinha certeza se queria começar essa conversa.

_Bom dia, meninas! -disse uma voz masculina se aproximando.

As duas olharam assustadas para Luciano.

_Nossa! Que caras são essas? Eu fiz alguma coisa?

_Com licença, Luciano. –disse Isa puxando a prima. – A gente fala com você depois!

_Me solta, Isabel!

_Não enquanto a gente não resolver isso!

Aline olhou para o lado e sentou num banco perto da escadaria.

_A gente nunca brigou...

_Pois é... –murmurou Isa sentando-se ao lado de Aline. – Não quero ficar brigada com você, Aline...

_Me desculpe... eu... acho que exagerei. Você nem tem culpa de nada.

_Eu também não sei o que me deu... por um minuto eu pensei que...

Isabel olhou para o lado, um pouco envergonhada de admitir um novo sentimento para si mesma.

_Está tudo bem, Isa. O Luciano nunca vai gostar de mim, de qualquer maneira.

_Não diga isso! E também... não era nada! Só existe uma pessoa que amo nessa vida...

_Ah! Fala sério, Isa! Você nem sabe onde o Yuri está.

_Teoricamente sei, sim.

_Tudo bem. Seja como for, o Luciano não gosta de mim. Eu fui muito boba ontem.

_Por que você está dizendo isso?

_Eu te disse que ontem ele e eu fomos almoçar, não disse?

_Sim. Por isso que você estava tão feliz.

_Eu fingi essa felicidade porque não queria acreditar na verdade.

_Do que você está falando, Aline?

_O Luciano me levou até aquele restaurante pra falar sobre você. Você foi o assunto daquele “encontro”. Ele queria saber como se aproximar de você e o que fazer pra você não fugir mais dele.

Isabel estava espantada.

_Eu... eu nem sei o que dizer.

_Imagine eu! Eu não sabia o que fazer. Quando eu cheguei em casa, tentei não pensar nas coisas que ele me disse. Então resolvi fingir que estava tudo bem. Que ele tinha saído comigo porque ele QUERIA sair comigo, mas...

Aline colocou a mão no rosto, escondendo suas lágrimas.

_Ai, Aline... eu...

_Ele realmente gosta de você, Isa. Você o cativou...

_Eu nem sei o que fazer com isso. Eu não gosto dele...

_Isa... me fala a verdade. Você está confusa, não está?

Isabel desviou seu olhar por alguns instantes.

_Eu amo o Yuri...

_Há meses você não o vê. O Luciano você vê todo dia!

_Aline, se você gosta dele, por que você está me dizendo essas coisas como que querendo que eu goste dele?

_Não sei. Eu tô vendo que você já não está mais resistindo a esse assunto. Eu conheço você e sei que você está começando a...

_Pára de falar isso!

_Tá. Tudo bem. O fato é que... eu não vou poder mudar isso. O Luciano gosta de você. Você gostando dele ou não, ele vai continuar gostando de você. E eu... vou continuar apaixonada por ele... e ele não vai se apaixonar por mim.

_Vamos deixar essa história toda de paixão e amores pra lá. Isso está é complicando nossas vidas!

_Tá... tudo bem. –disse Aline enxugando o rosto. –Me desculpe ter agido daquele jeito ontem... e hoje ainda. Você, além de minha prima, é minha melhor amiga. Não quero ficar brigada com você.

_Nem eu. Você não sabe como me senti mal. Nem dormi essa noite.

_Nem eu. –disse Aline sorrindo. –Acho que você é mais gêmea minha que a Natália.

_Deve ser porque andamos muito juntas... e você me faz falta.

As duas se abraçaram.

_Trégua, então?

_Trégua! –exclamou Aline sorrindo.

_Bom... melhor irmos pras nossas salas. Se não vamos é arranjar briga com os professores...

_Verdade. A gente se vê no intervalo, então?

_Sim. Quer dizer, não.

_Por que não?

_O meu colega de turma, o Diogo, tá me ajudando com uma matéria que eu não estou entendendo.

_Ah.. tá. Bom, então acho que eu vou ficar na sala ou ir estudar na biblioteca. Não quero ficar com o Luciano sozinha na hora do intervalo.

_Você é quem sabe.

As duas, então, dirigiram-se às suas respectivas salas.

_Bom dia! –exclamou Isabel, sentando-se ao lado de Diogo.

_Bom dia. Que bom ver que você está feliz hoje.

_É... o dia já começou bem cheio.

_Se começou cheio, por que você está feliz?

_Porque tudo já se resolveu.

_Que bom, então.

As aulas do dia não eram tão chatas. Isa gostava das matérias de terça-feira e até agradecia a Deus por ter algumas matérias mais agradáveis logo no início da semana.

_Você vai poder me ajudar hoje novamente? –perguntou Isa a Diogo, enquanto os outros alunos saíam para o intervalo.

_Sim, claro.

Diogo procurou o livro em sua mochila e não o encontrou.

_Acho que não o trouxe. –disse Diogo um pouco decepcionado.

_Calma... talvez tenha na biblioteca. Se você quiser, vou lá buscar.

_Tá... tudo bem.

Isabel dirigiu-se até a biblioteca e viu Aline sentada numa das mesas, anotando algumas coisas.

_Veio mesmo pra cá... –comentou Isa.

Aline olhou surpresa pra prima.

_É... mas não adiantou muito. Olha só...

Isabel olhou para a cadeira do outro lado da mesa, onde havia uma mochila.

_O Luciano? –perguntou ela temerosa.

_É reunião hoje aqui? –perguntou Luciano atrás de Isabel.

_Só vim buscar um livro! –disse ela saindo.

_Calma, Isa. –disse Luciano pegando sua mochila. –Eu já estou saindo. Vocês podem ficar aí.

Aline e Isabel se entreolharam estranhando.

_O que aconteceu? –perguntou Isabel

_Eu não sei. Acho que ele sentiu algo estranho no ar.

_Coitado.

_Ai, Isa... eu não vou conseguir viver assim.

_Assim...?

_Conviver com ele. É difícil. Durante tanto tempo eu consegui suportar esse desprezo, mas agora... de novo...

_Ele parece que quer se afastar também. Isso não é bom? Quer dizer... não é isso que você quer?

_É... acho que vai ser melhor assim mesmo.

Isabel foi atrás do livro que precisava e voltou para a sala.

_Demorei um pouco, né?

_Mas acho que dá tempo de te passar algumas coisas. Desculpe não ter trazido o livro.

_Está tudo bem, Diogo. Sem problemas.

A manhã passou rapidamente. Após as aulas, Isabel aguardava por sua prima na portaria.

_Eu pensei que você fosse para o buffet... –comentou Aline se aproximando.

_Eu queria saber como você estava...

_Eu estou bem. Por enquanto, sem sinal do Luciano e...

Aline ficou paralisada, de repente.

_O que foi? –perguntou Isabel virando-se para ver o que estava acontecendo, mas não havia nada de diferente.

_Você está vendo aquele grupinho ali?

_Aqueles meninos?

_Sim. Eles são da turma da Natália e ela sempre está com eles.

_Então... cadê ela?

_É o que eu quero saber... –disse Aline indo em direção ao grupinho de garotos. –Com licença, vocês são da turma de Arquitetura, não são?

_Sim. –respondeu um garoto estranhando.

_A Natália não estava na aula hoje?

_Ah... ela saiu com um cara aí. –disse outro garoto.

_Vocês não o conhecem? –perguntou Isa preocupada.

_Acho que ele nem é daqui da faculdade.

Aline e Isabel entreolharam-se.

_Bom... obrigada pela informação. –disse Aline.

As duas saíram da universidade preocupadas.

_Pra onde será que a Natália foi? –disse Isabel olhando para os lados.

_Eu estou começando a ficar realmente com medo. Ela pode ter se enfiado em qualquer canto...

_Tchau, meninas. –disse Luciano passando pelas duas, sem ao menos olhar.

As duas olharam-se um pouco tristes.

_Ele poderia nos ajudar... –murmurou Isabel.

_Eu sei. Pensei a mesma coisa.

_Acho que é o único jeito.

_É... –disse Aline correndo atrás do garoto. –Luciano!

Ele virou-se rapidamente.

_Você precisa nos ajudar!

_O que aconteceu? –perguntou ele preocupado.

_A Natália sumiu. –informou Isabel.

_Como assim “sumiu”?

_Eu falei com uns garotos da turma dela e eles disseram que ela saiu com um cara que provavelmente nem é da faculdade.

Luciano ficou parado por alguns instantes, como que processando as informações.

_Como vamos procurá-la?

_Eu não sei. –disse Aline entristecida. –Gostaria de ter poderes de gêmeas, igual aos filmes, pra poder saber onde ela está agora. A Natália me deixa maluca com essas atitudes, viu?

_Calma... –disse Luciano colocando a mão no ombro da garota. –Vamos encontrá-la.

Aline sorriu sem jeito e os três foram para o carro de Luciano. Durante alguns minutos, os três ficaram rodando de carro, sem um rumo certo.

_São Paulo é imensa... vai ser impossível encontrar a Natália. Ela pode estar em qualquer lugar.

Luciano parou o carro.

_Vocês não tem mesmo ideia de onde ela esteja?

_Tudo o que a gente sabe é que ela saiu com alguém que também não temos ideia de quem seja. –disse Isabel.

_Se você não quiser ajudar a gente, a gente entende. Você precisa ir trabalhar e...

_Nossa! –exclamou Isabel com desespero. –Eu também me esqueci que preciso ir para o buffet.

_Acho que a solução será esperar a Natália chegar em casa mesmo... –murmurou Aline entristecida. – Se ela chegar...

_Calma, Aline. Não vamos desistir. Vamos procurar mais um pouco...

_Eu não vou poder. Desculpa, Aline.

_Tudo bem, Isa. Eu entendo você...

_Você quer que eu te leve, Isa? –perguntou Luciano ligando o carro. – Acho que não estamos tão longe do buffet.

_Eu nem sei onde estamos, pra falar a verdade.

_Tudo bem. Eu te levo.

Alguns minutos depois, Isabel descia do carro, em frente ao buffet de sua mãe.

_Obrigada, Luciano. Espero que vocês tenham sorte. Vou ficar orando aqui pra que vocês a encontrem logo.

_Isa... não conta nada pra tia Elisa, tá? Melhor ninguém ficar sabendo disso.

_É... mas se vocês não a encontrarem, a gente vai precisar fazer alguma coisa.

_Eu ligo pra você se tiver alguma novidade.

_Tá bom. Tchau.

Isabel entrou no buffet e Luciano seguiu com o carro.

_Eu acho melhor voltar pra casa. –sugeriu Aline desanimada.

_Você já quer desistir? –espantou-se o garoto.

_É que eu...

Aline começou a falar, mas parou ao ver Natália andando do outro lado da rua, abraçada com um homem.

_Espere! –gritou a garota. –É a Natália!

Luciano olhou na direção em que Aline estava olhando.

_Sim, é ela mesma.

O garoto parou o carro e os dois ficaram observando Natália com aquele homem alto e muito forte.

_O que ela está fazendo? –disse Aline indignada.

Natália entrou num carro com o homem e partiu.

_Vamos atrás do carro!-exclamou Aline. - Eu sempre quis dizer isso, mas não numa situação como essa...

Luciano seguiu o carro até parar num bar, que se localizava numa rua vazia e esquisita.

_Eu não acredito no que eu estou vendo... –disse Aline observando sua irmã entrando abraçada com o homem naquele bar.

_O que vamos fazer agora? Vamos até lá?

_Acho melhor não. Não vai adiantar. Eu... eu nem sei o que fazer.

E Aline começou a chorar. Luciano a abraçou.

_Luciano... não!

_O que foi? O que aconteceu?

_Não dá.

_Não dá o que?

_Isso. Não podemos mais... ser amigos.

Luciano pareceu chocado.

_Por que não? O que foi que eu fiz?

_Você não percebe, não é mesmo?

_Não... eu realmente não sei o que está acontecendo.

_É. Como sempre.

_Aline, eu preciso saber o que está acontecendo. Você não pode simplesmente dizer que não vamos mais ser amigos sem me explicar isso.

_Se você não percebeu até agora... eu não posso fazer nada.

Luciano se ajeitou na cadeira do motorista.

_Tudo bem. Se é assim que você quer...

_Me leva pra casa?

_E a Natália?

_Acho que... não há nada a ser feito por ela aqui. Não podemos entrar lá.

_Bom... se você quer ir pra casa. Tudo bem.

Luciano seguiu, então, para a casa de Aline. Enquanto isso, Isabel trabalhava no buffet, conferindo as mercadorias que não paravam de chegar.

_Está tudo bem aí? –perguntou Elisa se aproximando da filha.

_Não dá pra acreditar que você precisa de tanta coisa. Não para de chegar mercadoria aqui!

_É claro que eu preciso de tudo isso, Isa. É a primeira festa do buffet. Precisamos impressionar!

_Eu sei... –disse Isabel riscando alguns itens em sua lista.

_Bom... preciso resolver algumas coisas. Depois você confere se todos os convites da lista de convidados foram entregues, tá?

_Eu fiz isso ontem, mãe.

_Mas eu preciso que você faça de novo. Não podemos ter enganos.

_Está bem... –resmungou a garota.

Elisa saiu e Isabel sentou-se no chão.

_Isso aqui está um tédio. Acho que gostava mais quando limpava a casa da Akira...

Isa encostou-se numa das caixas e lembrou-se de uma vez, na casa de Akira, que foi designada para lavar algumas roupas que estavam no banheiro. Quando abriu a porta, lá estava Yuri saindo com uma garota. Isabel sorriu.

_Ainda bem que você não é mais aquele garoto que aprontava tanto... –disse Isa consigo mesma.

Inesperadamente, o sorriso de Luciano surgiu em sua mente.

_Eu estou ficando louca já! –exclamou a garota se levantando do chão. –Esse monte de caixa está mexendo com o meu cérebro.

Após terminar o serviço do dia, Isabel voltou para casa com sua mãe. Exausta, só teve forças para tomar um banho e se jogar na cama.

_Isa! –exclamou Aline abrindo a porta bruscamente.

_Aline... será que você poderia parar de me assustar assim?

_Me desculpe... –disse ela se aproximando. –Eu estou preocupada. A Natália ainda não chegou em casa.

_Como não chegou?! –surpreendeu-se Isa.

_Nós a vimos hoje entrando num bar com um cara estranho...

_Vocês a encontraram, então?

_Sim, mas... eu acabei brigando com o Luciano e pedi pra ele me trazer pra casa.

_Você brigou com o Luciano?!

_Não foi bem uma briga... nós só... terminamos a amizade. Disse a ele que não podemos ser amigos mais... Ele nem consegue entender o porquê.

_Eu não acredito que você fez isso...

_Eu sei. Mas eu tinha de fazer. O problema é que... eu deixei a Natália lá. Agora eu nem sei onde ela está! Ai, Isa... O que será que aconteceu com a minha irmã?

5 comentários:

  1. Que honra ser o primeiro a postar! Este capítul demou, mas veio, hein? Espero que o próximo seja breve. Gostei muito.

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  2. Uhuuuuuuuu...vivaaaaa mais um capítulo!!
    Quanto suspense...realmente n vejo a hora de um novo post....hahahaha...

    Amei!

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  3. Continue postando! tô amando....
    Eu queria que o Yuri desse sinal de vida, eu sou louca por ele! rs'

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  4. tá muito boa a história, parabéns.

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  5. cade o proximo??
    a historia é otima... quero saber o resto

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